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PMI composto do Brasil desacelera para 48,9 pontos em janeiro, diz IHS Markit

Gregory Prudenciano

São Paulo

03/02/2021 10h56

O Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) Composto do Brasil de janeiro mostra que o crescimento da produção do setor privado foi interrompido no começo de 2021, com o indicador passando de 53,5 pontos em dezembro para 48,9 pontos no primeiro mês deste ano, informou nesta quarta-feira, 3, a IHS Markit.

Os índices variam de 0 a 100 e leituras abaixo de 50 indicam retração. A leitura de janeiro é a primeira a ficar abaixo de 50 depois de cinco meses de expansão. "A contração ocorreu majoritariamente na economia de serviços, embora o crescimento da produção fabril tenha diminuído visivelmente", diz a nota da IHS Markit. "Os novos pedidos do setor privado caíram pela primeira vez em seis meses, ainda que levemente. Embora os pedidos de fábrica tenham se expandido, os prestadores de serviços notaram uma deterioração na demanda."

O indicador do setor de serviços também registrou queda em contração em janeiro, passando de 51,1 em dezembro para 47,0 nesta leitura. Segundo a nota da IHS Markit, a descida do indicador teve relação com "a combinação de excedente de capacidade e estratégias de redução de custos", além de "aumento de preços em equipamentos de proteção individual (EPI) e itens de higiene se traduziam em um aumento acentuado em despesas gerais, que foram parcialmente repassadas aos clientes via aumentos nos preços de venda".

O PMI da indústria, divulgado na segunda-feira, foi o único a permanecer acima dos 50 pontos (de 61,5 em dezembro para 56,5 em janeiro), mas desacelerou ao menor nível desde junho.

Para Pollyanna de Lima, diretora associada de economia na IHS Markit, a pesquisa PMI de janeiro indica que a economia do País pode voltar a apresentar contração nos três primeiros meses de 2021, muito por conta da segunda onda de covid-19 no mês de janeiro.

"O setor industrial conseguiu se manter no modo de expansão, ainda que os índices de crescimento tenham diminuído visivelmente desde o fim de 2020. O grande setor de serviços, no entanto, levou um golpe decorrente da renda comprimida e da deterioração subsequente na demanda. Como resultado, a economia do setor privado registrou declínios renovados em novos negócios, índice de produção e índice de emprego", resumiu a analista.

Outro destaque na análise de Lima é o mercado de trabalho, afetado pela fraqueza econômica do começo de 2021. Segundo ela, as empresas brasileiras têm agora maior propensão a cortar custos operacionais diante da fraca demanda e da pressão sobre as margens causada pelos aumentos de custos. "O índice de redução de postos de trabalho observado em janeiro foi modesto, mas a situação pode piorar se a queda em novos negócios não se mostrar temporária", argumenta.