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Câmara avalia fatiar proposta e aprovar auxílio antes de medidas fiscais

Ministro da Economia Paulo Guedes e Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, se reúnem hoje para discutir prorrogação do auxílio emegencial - Mateus Bonomi/Agência Estado
Ministro da Economia Paulo Guedes e Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, se reúnem hoje para discutir prorrogação do auxílio emegencial Imagem: Mateus Bonomi/Agência Estado

Daniel Weterman e Adriana Fernandes

Brasília

23/02/2021 15h07

A Câmara dos Deputados avalia fatiar a PEC (Proposta de Emenda à Constituição) emergencial e aprovar primeiro o dispositivo que autoriza o governo a lançar uma nova rodada de auxílio neste ano antes das medidas de fortalecimento das regras de contenção de gastos para crises futuras.

O assunto foi discutido nos últimos dias, mas enfrenta resistências do Ministério da Economia. A pasta tenta barrar a pressão, que aumentou de ontem (22) para hoje.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, já aceitou a concessão do auxílio sem contrapartidas de corte de despesas neste momento e colocou seu futuro no governo na aprovação de um texto da PEC com "protocolo de crise" sem desidratação. Agora, desdobra-se para articular essa aprovação.

O Senado pautou a proposta para quinta-feira (25). A Câmara deve votar o texto na sequência. Com essa estratégia, o Congresso pode promulgar no primeiro momento apenas o artigo que permite uma "via rápida" para tirar o benefício do papel.

Ele autoriza que o auxílio seja pago sem uma nova calamidade, por meio de crédito extraordinário fora do teto de gastos (regra que limita o avanço das despesas à inflação) e sem interferir no esforço que a equipe econômica precisa fazer para atingir a meta de primário, que permite rombo de até R$ 247,1 bilhões.

O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), se reúne hoje com Guedes, que cancelou sua participação em evento do CSIS (Center for Strategic & International Studies) sobre a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico).

Para integrantes da equipe econômica, Lira estaria comprometido com a votação da PEC com ajustes. Eles lembram mensagem postada ontem pelo presidente da Câmara ressaltando a votação da PEC como um marco histórico das finanças públicas do país e votação até 25 de março. O presidente da Câmara, por outro lado, tem repetido que sempre vai ouvir a posição dos líderes democraticamente.

O problema é que as lideranças da Câmara avaliam que a análise das medidas fiscais pode atrasar a votação da PEC , enquanto a volta do auxílio é considerada urgente diante da pandemia da covid-19.

Governistas no Congresso confirmaram que o fatiamento está sendo analisado, mas apontam que é muito complicado saber o que seria destacado. Avalia-se que a pressão pelo pagamento do auxílio pode ajudar a promover um entendimento de procedimento de tramitação.

O fatiamento da PEC, porém, seria um caminho mais rápido para dar suporte legal à abertura de um crédito extraordinário no Orçamento e iniciar o pagamento da nova rodada. Os outros itens da PEC, entre eles os mais polêmicos, como os gatilhos para contenção de despesas no governo federal, nos estados e nos municípios, ficariam para um segundo momento.

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