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OIT: retorno lento do emprego e mais desigualdade podem ser cicatrizes duradouras

Gabriel Bueno da Costa

São Paulo

02/06/2021 13h19

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) alerta para o fato de que a crise no mercado de trabalho global criada pela pandemia "está longe do fim". Segundo a entidade, o crescimento no emprego será insuficiente para compensar as perdas pela covid-19 até pelo menos 2023, de acordo com uma nova avaliação do quadro, publicada no relatório Perspectiva Global para o Emprego e Social: Tendências 2021.

O levantamento da OIT projeta que a falta de empregos gerada pela crise chegará a 75 milhões em 2021, antes de recuar a 23 milhões em 2022. E destaca também a queda em horas trabalhadas, seja por desemprego ou perda de parte da jornada, equivalente às horas de 100 milhões de empregos em tempo integral em 2021 e a 26 milhões deles em 2022.

Segundo a organização, o quadro antes da crise atual já era de níveis elevados de desemprego, subutilização de parte da mão de obra e condições de trabalho ruins em muitos casos.

A OIT diz que o desemprego global deve ficar em 205 milhões de pessoas em 2022, de 187 milhões em 2019. A taxa para o ano atual é de 5,7%. Excluindo-se o período da pandemia, uma taxa como esta havia sido vista apenas em 2013, aponta a entidade.

As regiões mais afetadas no primeiro semestre deste ano têm sido a América Latina e o Caribe, a Europa e a Ásia Central, afirma a OIT. Ela espera que a recuperação do emprego global acelere no segundo semestre deste ano, contanto que a pandemia não piore, mas alerta que essa melhora mostrará divergências entre países, com acesso desigual a vacinas e capacidade limitada para a maioria das economias de lançar medidas fortes de estímulo fiscal. "Além disso, a qualidade dos empregos novos criados deve deteriorar nesses países", alerta.

A piora no emprego se traduz em aumento na pobreza, lembra a OIT, afirmando que cinco anos de progresso pela erradicação da pobreza no trabalho foram perdidos com a pandemia e seus impactos.

A OIT também destaca o peso desproporcional da crise sobre as mulheres, com queda de 5% em seus empregos em 2020, de 3,9% entre os homens. A entidade pede um esforço consciente dos países para fomentar "empregos decentes" e apoiar os mais vulneráveis na recuperação.