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Livro Bege: maioria dos distritos viu alta forte nos preços entre maio e julho

Matheus Andrade, Gabriel Caldeira, Gabriel Bueno da Costa e Ilana Cardial

14/07/2021 15h50

As pressões inflacionárias cresceram nos Estados Unidos desde maio, na percepção de empresários, revela o Livro Bege, divulgado nesta quarta-feira, 14, pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano). Segundo o documento, que é um sumário de opiniões que embasa as decisões de política monetária no país, sete dentre os 12 distritos observaram um forte aumento nos preços, e o restante teve uma alta "moderada".

O relatório destaca que os preços de hospitalidade avançaram de forma mais ampla e severa nos distritos, especialmente com a reabertura de restaurantes e hotéis em meio a um cenário de escassez de mão de obra e materiais. O setor de construção também observou uma alta nos preços, mas uma desaceleração nas cotações da madeira serrada levou alívio ao ramo. Já os preços dos contêineres voltaram a níveis muito altos depois de terem ficado moderados em meses anteriores, segundo o documento.

Enquanto alguns contatos sentiram que as pressões de preços foram transitórios, a maioria esperava novos aumentos nos custos de insumos e nos preços de venda nos próximos meses, de acordo com o Livro Bege. Parte relatou que a alta demanda do usuário final lhes permitiu aumentar preços enquanto outros disseram que as pressões reduziram suas margens de lucro.

Economia

A economia dos Estados Unidos cresceu de forma moderada a robusta entre o fim de maio e o começo de julho, se fortalecendo mais do que no período imediatamente anterior, afirma o Livro Bege. O documento é um sumário de opiniões que embasa as decisões de política monetária no país.

De acordo com o Livro Bege, vários distritos reportaram efeitos positivos, com os setores de transporte, viagens, turismo, indústria e serviços não financeiros registrando avanços acima da média. O quadro pandêmico foi um dos grandes responsáveis pelo estímulo ao turismo, de acordo com a publicação. Por outro lado, também citaram impactos adversos de problemas nas cadeias de produção, incluindo escassez de materiais e trabalhadores. Também foi reportada desaceleração do mercado imobiliário em vários distritos, movimento relacionado à alta de custos.

A atividade de empréstimos bancários aumentou ligeiramente ou modestamente na maioria dos distritos, segundo o documento. A perspectiva para a demanda melhorou, mas muitos empresários expressaram incerteza ou pessimismo sobre restrições de oferta.

Mão de obra

O Livro Bege mostrou que em vários distritos dos EUA firmas esperam que a dificuldade de contratação de mão de obra se estenda por mais algum tempo. De acordo com o relatório, que resume opiniões de empresas consultadas e embasa as decisões de política monetária do banco central americano, a escassez da mão de obra foi frequentemente citada como a razão para falta de contratação.

"Em três distritos, empresas afirmaram estar atrasando sua expansão ou reduzindo os serviços pela falta de pessoal", diz o documento. Para atrair trabalhadores, em todos os distritos foi notado o uso de bônus para atrair e reter trabalhadores.

Nos Estados Unidos, 75% dos distritos reportaram alta leve ou modesta de empregos, enquanto 25% registraram alta moderada ou forte no setor. Os salários, por sua vez, aumentaram em ritmo moderado, em média, com maior força entre trabalhadores de baixa renda.