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Venda de reservas foi apropriada e BC não busca nível de câmbio, diz Campos Neto

Eduardo Rodrigues e Célia Froufe

Brasília

01/09/2021 13h15

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, respondeu nesta quarta-feira que as reservas internacionais têm a função de ser amortecedores em momentos de crise. Segundo ele, a venda de reservas na pandemia foi apropriada em momento de turbulência nos mercados.

"Existia sempre uma crítica de que as reservas eram muito altas e inclusive existia uma pressão para vender reservas muito antes do que o BC vendeu. Quando o câmbio desvaloriza muito, o Brasil tem um ativo que valoriza e faz um contrapeso. Quando temos alguma disfunção no mercado, vendemos a moeda, mas não buscamos nível de câmbio", explicou Campos Neto, em audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.

O presidente da Comissão de Finanças e Tributação da Câmara, Júlio César (PSD-PI), questionou o presidente do Banco Central sobre a elevação da inflação, dos juros e do dólar, e da queda das reservas internacionais e do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre. Ele também fez indagações sobre o lucro "tão expressivo" dos cinco maiores bancos, incluindo dois estatais, num momento de pandemia.

Perguntado sobre a política de preços da Petrobras, o presidente do Banco Central disse que não tem como comentar as decisões da companhia. "Entendo que tem uma fórmula de reajuste que segue os preços internacionais. O que vemos em termos de impactos, é que o preço da gasolina subiu 27% neste ano e gás de bujão subiu 20,88%. A energia elétrica até agora tem aumento em torno de 12%, mas provavelmente será maior. De fato, são componentes que afetaram bastante a inflação", afirmou.

Mais uma vez, Campos Neto esclareceu aos parlamentares que não existe planejamento do BC para dólar.

"O BC não mira um dólar A, B ou C. O câmbio é flutuante, e tem a função de absorver choques", enfatizou. "O dólar tem se comportando melhor nos últimos meses. Se o Brasil conseguir elevar sua credibilidade, o fluxo de entradas e saídas deve levar o dólar a nível mais baixo", completou Campos Neto.

Teto de gastos

O presidente do Banco Central voltou a alertar que desrespeitar o teto de gastos não teria impacto positivo sobre economia. Ele voltou a argumentar que mesmo com o aumento de gastos durante o enfrentamento da pandemia, as retomadas econômica e fiscal foram melhores do que o esperado. "Se fizéssemos hoje um grande investimento público desrespeitando o teto, provavelmente o impacto líquido disso não seria positivo. Isso iria desorganizar os preços de mercado de uma forma tão grande, que iria mais do que compensar o que de fato o governo faria para crescer a economia", afirmou.

Lucro dos bancos

Ao ser questionado pelos parlamentares sobre os lucros dos bancos, o presidente do BC avaliou ser importante que as instituições tenham retorno sobre o capital alocado. "Em vários países esses retorno no sistema bancário foi maior do que no Brasil. Mas um setor bancário sólido é importante para alocar recursos na economia", respondeu.

Campos Neto ainda disse estar havendo uma redução na ponta nas tarifas bancárias. "A receita de serviços dos bancos tem caído, as tarifas já foram 10% das receitas dos bancos, e isso caiu para 9%. Temos mais empresas nesse mercado e o open banking deve diminuir ainda mais o custo de tarifas e de intermediação financeira", completou.

Cédula de R$ 200

O presidente do Banco Central disse também que o lançamento da cédula de R$ 200 - há exatamente um ano - foi uma saída encontrada pela autoridade monetária para evitar que houvesse uma percepção pela população de falta de dinheiro nos caixas eletrônicos durante a pandemia.

Ele voltou a dizer que criar uma nota de R$ 200 em meio ao mundo de avanços tecnológicos não é o ideal, mas pontuou que foi uma necessidade para aquele período.

"A nota de R$ 200 foi um processo duro para nós. Começou a ter um auxílio emergencial muito maior em um momento em que havia entesouramento grande de dinheiro em casa, porque as pessoas não estavam saindo. Havia risco de fragilizar sistema, de não haver dinheiro nos caixas eletrônicos. Isso poderia gerar a percepção de quebra do sistema bancário e levar a uma corrida aos bancos", afirmou Campos Neto, em audiência pública na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara.

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