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Mansueto: o que assusta mercado é quebra do teto para gastar mais que R$ 18 bi

Mansueto Almeida foi secretário do Tesouro Nacional e é economista-chefe do BTG Pactual - ADRIANO MACHADO
Mansueto Almeida foi secretário do Tesouro Nacional e é economista-chefe do BTG Pactual Imagem: ADRIANO MACHADO

Francisco Carlos de Assis e Thaís Barcellos

São Paulo

14/09/2021 19h42

O ex-secretário do Tesouro Nacional e atual economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, disse nesta terça-feira, 14, que o que assusta o mercado é a possibilidade de quebra do teto de gastos para que o governo gaste mais de R$ 18 bilhões para ampliar o Bolsa Família. "O que alguns amigos falam é que o governo deveria aumentar o Bolsa Família, pagar os R$ 89 bilhões de precatórios e calar a boca, cumprir a letra da lei. Essa solução ótima não existe", disse.

A boa notícia, de acordo com o ex-secretário do Tesouro, é que Brasília hoje está discutindo - sabendo que a inflação ate junho já terminou e que se sabe que o crescimento do teto de gastos será de R$ 124 bilhões no ano que vem - uma solução para que esse crescimento de R$ 124 bilhões seja de R$ 140 bilhões para que tenha espaço para o Bolsa Família.

"Se for isso, vou falar uma palavra que muitos amigos meus vão me criticar: espetacular!", disse Mansueto, acrescentando que se o que está sendo discutido é R$ 16 bilhões, R$ 18 bilhões "é espetacular porque esse governo, independente de a gente gostar ou não do governo, no próximo ano a despesa primária, sem juros do governo federal, ficará menor que ele recebeu do governo Temer".

"Essa é a primeira vez que isso acontece desde 1988 num ciclo de quatro anos de governo. Pela primeira vez desde a Constituição um governo vai conseguir reduzir gastos públicos com uma pandemia no meio", observou Mansueto Almeida.

Ele disse ainda que o Brasil tem uma chance pequena de ter um superávit primário no próximo ano porque a recuperação da arrecadação foi muito grande e as despesas obrigatórias estão controladas. "No próximo ano, de acordo com o Orçamento que foi enviado, a gente vai completar três anos sem aumento real para funcionário público. A gente teve aumento real para funcionário público em nos anos 16, 17, 18 e 19 e aumento de salário mínimo zero em 2020, 2021 e provavelmente não terá em 2022", disse.

Ele disse ainda que o governo teve tudo isso e ainda fez uma reforma da Previdência. "Quando a gente olha isso, o que assusta o mercado é que a solução seja uma quebra simples do teto e que abra espaço para o governo gastar não R$ 18 bilhões a mais, nas R$ 40, R$ 50, R$ 80, R$ 100 bilhões. Ai seria o caos", disse.

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