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FGV/Braz: Aberturas do IPA podem inverter tendência, com recomposição do minério

Guilherme Bianchini

São Paulo, 29

29/09/2021 21h02

Principal responsável pela deflação de 0,64% no Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) de setembro, o minério de ferro recuou 21,74% no mês, mas deve iniciar certa recuperação do preço em outubro, afirma o coordenador dos Índices de Preços da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Braz. Sem o item, a taxa mensal teria sido de alta de 1,21%, mas com desaceleração ante 2,37% em agosto.

"Algumas pressões inflacionárias da crise hídrica cederam um pouco nos preços agropecuários. O café, que foi muito afetado por geadas, passou de 20,98% para 8,33%, e a tendência agora é estabilizar", acrescenta o coordenador. "As aves também arrefeceram, sustentadas pelo milho (10,97% para -3,18%). Essas desacelerações mostram arrefecimento no choque de oferta e ilustram a real desaceleração do IGP."

Depois de leituras marcadas por pressão altista dos preços agropecuários e baixista dos industriais, as aberturas do Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) devem inverter a tendência a partir de outubro, com recomposição do minério de ferro. Braz pontua que os agropecuários, apesar da previsão de desaceleração, podem seguir registrando altas, pois os efeitos da crise hídrica ainda não se dissiparam. "Vai depender do grau de estiagem", ressalta.

No Índice de Preços ao Consumidor (IPC-M), que avançou de 0,75% para 1,19%, o coordenador destaca o grande poder de espalhamento das pressões em energia elétrica e combustíveis. Braz mostra preocupação com o reajuste de 8,89% no diesel, anunciado nesta terça-feira, 28, pela Petrobras.

"Apesar do impacto pequeno na conta familiar, tem um efeito indireto devastador, encarece frete de vários produtos que chegam para famílias. É o principal combustível do transporte rodoviário, então chega em produtos e serviços com muita rapidez. E pode ser usado também em termelétricas para geração de energia", alerta.

Após a inflação acumulada em 12 meses no IGP-M arrefecer de 31,12% para 24,86% no período até setembro, Braz projeta que o indicador fechará o ano um pouco abaixo de 20%. Ele diz que a taxa estimada ainda é bastante desafiadora para a indústria e o agronegócio, mas não deixa de ser uma melhora em relação aos 23,14% de 2020.

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