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Sem aplicativo de mensagens, negócios têm 'dia perdido'

Os quatro aplicativos mais baixados na última década pertencem todos à empresa de Mark Zuckerberg: Facebook (1º lugar), Facebook Messenger (2º), WhatsApp (3º) e Instagram (4º) - Reuters
Os quatro aplicativos mais baixados na última década pertencem todos à empresa de Mark Zuckerberg: Facebook (1º lugar), Facebook Messenger (2º), WhatsApp (3º) e Instagram (4º) Imagem: Reuters

Márcia de chiara e Guilherme Guerra

05/10/2021 17h00

Com nada menos do que 120 milhões de usuários no Brasil, o WhatsApp é uma ferramenta fundamental de negócios. A queda de todos os serviços do Facebook, incluindo o WhatsApp e o Instagram, teve um impacto em muitas empresas de pequeno porte, que dependem dos serviços para falar com clientes e fornecedores.

"Foi um dia perdido. Não fazemos iFood e Rappi e não temos loja física, então usamos o WhatsApp. Paramos de vender, e não estamos nem com o Instagram para poder direcionar os clientes para outro canal", contou ao Estadão Ilana Pelosof, 36 anos, dona da confeitaria Zil Bakery, em São Paulo.

Nayana Rodrigues Silveira, 23, trabalha com eventos e atende aos clientes diretamente por Facebook e WhatsApp para fechar trabalhos para sua empresa. A pane chegou no prazo final de uma das produções - cerca de 250 clientes foram afetados pela queda.

"Não temos como entrar em contato para avisar, e eles também não conseguem falar conosco para finalizar a contratação. O contato com o cliente é diretamente pelo Messenger ou WhatsApp. Um dia de trabalho perdido é sempre prejuízo", conta Nayana.

Marmitas via mensagem

Segunda-feira costuma ser o melhor dia de vendas da pequena empresária Gabriela Spinardi, dona do Balaio Gastronomia, que produz marmitas congeladas. Normalmente, ela chega a tirar 20 pedidos. Ontem, por causa da paralisação dos serviços do WhatsApp, ela conseguiu vender e entregar apenas quatro encomendas. "Acho que deixei de faturar cerca de R$ 4 mil", calcula.

Gabriela explica que, às segundas-feiras, as famílias atendidas por ela fazem as compras para uma ou duas semanas. Isso ocorre depois do envio do cardápio da semana, também por WhatsApp, aos domingos. Foi por volta de 12h30 que Gabriela percebeu que o aplicativo tinha parado de funcionar. Ela acredita que, quando a operação for regularizada, os pedidos acumulados entrem e seja possível recuperar o que deixou de vender no momento

Dos cerca de 350 clientes ativos, isto é, que fazem ao menos uma compra ao mês, pouquíssimos usam o telefone para encomendar: só pessoas idosas que não têm familiaridade com tecnologia. "O meu principal canal de comunicação profissional e pessoal é o WhatsApp."

Diante do imprevisto, que já aconteceu em outras ocasiões no passado, Gabriela pretende apressar a criação de um site de e-commerce. "Não dá para ficar dependendo de uma única ferramenta de comunicação."

Estética

A clínica estética Chiquetá, de São Caetano do Sul (SP), por exemplo, usa o aplicativo para confirmar consultas e registrou oito faltas ontem. Num dia normal, seriam cerca de duas ausências. Além disso, a marcação de novas consultas também foi prejudicada. Até as 12h, tinham sido marcadas apenas cinco consultas. Em dias normais são, em média, de 15 a 20 agendamentos.

A história se repete na loja de doces Sodiê, do município de Ribeirão Pires (SP), que costuma atender a 100 clientes pelo app, todos os dias. Ontem, o negócio pôde contar apenas com as vendas feitas de forma presencial. Segundo a empresa, em média, 40 encomendas de bolo são efetivadas por meio do WhatsApp.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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