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Para FGV, alta da confiança do consumidor em outubro é acomodação

Vinicius Neder

Rio

25/10/2021 12h17

A alta de 1,0 ponto, em outubro ante setembro, no Índice de Confiança do Consumidor (ICC), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), é mais uma acomodação do que uma reversão de tendência, que sugira crescimento sustentável do otimismo e da disposição das famílias em consumir. A avaliação é de Viviane Seda Bittencourt, coordenadora das sondagens de confiança do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV).

A alta de outubro foi a primeira após dois meses de quedas, com destaque para o tombo de 6,5 pontos em setembro ante agosto. "Temos uma recuperação de parte da queda de setembro. Não dá para dizer que é reversão ou aumento do otimismo. É uma diminuição do pessimismo", afirmou a pesquisadora do Ibre/FGV.

Segundo Seda, a análise desagregada dos componentes do ICC traz tanto pontos positivos quanto negativos para as perspectivas dos próximos meses. A confirmação da elevação do valor médio do Bolsa Família - que deverá mudar de nome para Auxílio Brasil e incluir os auxílios emergenciais que vinham sendo pagos em meio à crise causada pela covid-19 - pode melhorar um pouco a confiança entre os consumidores mais pobres.

Os dados do ICC de outubro mostram que os mais pobres, há meses já incomodados com a inflação dos alimentos, foram a única faixa de renda que não experimentou acomodação. O ICC dos consumidores com renda de até R$ 2.100,00 caiu 1,4 ponto, para 63,7 pontos.

"A confiança dessas famílias pode parar de cair com a notícia do auxílio ou o vislumbre de que ele vai ser concedido", afirmou a pesquisadora do Ibre/FGV.

No lado dos pontos negativos para a perspectiva da confiança do consumidor, a disseminação da inflação, que passa a incomodar igualmente as famílias de renda mais elevada, seguirá no radar - com destaque para os preços dos combustíveis, que afeta mais diretamente quem tem recursos para possuir o próprio veículo. O aumento da incerteza, expresso na elevação das cotações do dólar, também pode afetar a confiança dos mais ricos, atrapalhando planos de consumo mais planejados, como na aquisição de bens duráveis - carros, geladeiras, máquinas de lavar, entre outros.

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