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MAG/Pereira: Comunicado do Copom foi seco, chamou atenção pelo que não disse

Cícero Cotrim

São Paulo

27/10/2021 21h22

Ao elevar a taxa Selic em 1,5 ponto porcentual nesta quarta-feira, 27, o Comitê de Política Monetária (Copom) atendeu à ponta mais "dove" das estimativas do mercado, avalia a estrategista-chefe da MAG Investimentos, Patricia Pereira. Para a analista, o destaque da decisão foi um comunicado seco da autoridade monetária, que não explicitou a sua avaliação a respeito das propostas de mudanças no teto dos gastos.

"O que chamou atenção foi o Copom não dizer, ser mais econômico", diz Pereira. "O Copom mencionou questionamentos em torno do arcabouço fiscal, mas isso quer dizer que, para ele, não está claro? Ele tem a opinião de que o teto não foi quebrado? Ele tem espaço para ser mais explícito na ata, mas pode não ser. Pode tentar ganhar tempo, mantendo uma comunicação mais seca sobre a política fiscal."

Após a divulgação de planos do governo para pagar parte de um auxílio de R$ 400 em 2022 e para alterar o indexador fiscal, nas duas últimas semanas, a mediana de mercado apurada pelo Projeções Broadcast para o aumento de juros de outubro saltou de 1 ponto porcentual, para 1,5 ponto. Parte do mercado chegou a prever ajustes mais fortes nesta reunião, de 2 a 3 pontos.

No comunicado, no entanto, o Copom apresentou um trecho sobre a política fiscal no Brasil. "Apesar do desempenho mais positivo das contas públicas, o Comitê avalia que recentes questionamentos em relação ao arcabouço fiscal elevaram o risco de desancoragem das expectativas de inflação, aumentando a assimetria altista no balanço de riscos. Isso implica maior probabilidade de trajetórias para inflação acima do projetado de acordo com o cenário básico", diz o texto.

Segundo Pereira, a sinalização do Copom de um novo aumento de 1,5 ponto em dezembro faz com que o cenário-base convirja para uma Selic de 9,25% no fim do ano. A menção do comunicado a um aperto monetário que avança "ainda mais em território contracionista" indica que o Banco Central (BC) também passou a enxergar uma taxa de juros maior no fim do ciclo, avalia a estrategista, que estima juros terminais próximos de 11%.

Pereira considera, no entanto, que a mudança das projeções de inflação do cenário básico do BC para 2022 - de 3,70% em setembro para 4,10% neste documento - indica que os diretores do BC podem abandonar em entrevistas o compromisso com o centro da meta de inflação do ano que vem, de 3,50%.

"Se ficarem nessa ideia de entregar o centro da meta, teria de aumentar o passo em relação a hoje, vão ter de fazer muito mais", nota Pereira. "Se flexibilizarem, podem reduzir um pouco o passo a partir de janeiro do ano que vem. Não tem como advogar o cumprimento da meta, não é crível."

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