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Lula defende que 'governo responsável não precisa' de teto de gastos

Em entrevista para a Jovem Pan de Sorocaba (SP), Lula rebateu críticos que o acusam de "querer gastar" - Ueslei Marcelino/Reuters
Em entrevista para a Jovem Pan de Sorocaba (SP), Lula rebateu críticos que o acusam de 'querer gastar' Imagem: Ueslei Marcelino/Reuters

Sofia Aguiar e Matheus de Souza

Em São Paulo

28/10/2021 11h46Atualizada em 28/10/2021 11h50

Enquanto o mercado vê com apreensão as manobras do Ministério da Economia para se esquivar do teto de gastos e abrir espaço no orçamento para viabilizar o Auxílio Brasil a R$ 400, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que já defendeu a criação do benefício, declarou que um "governo responsável não precisa criar uma lei dizendo o que pode gastar".

"As pessoas falam 'o Lula quer gastar'", disse, em entrevista à rádio Jovem Pan de Sorocaba (SP), respondendo às críticas que recebe por já ter declarado ser contra o limitador de gastos.

Ao ilustrar a situação, Lula disse que "é igual um pai responsável, uma mãe responsável. Ele gasta aquilo que tem que gastar, aquilo que precisa gastar. Eu não tinha lei de teto de gastos e a inflação foi controlada, crescimento aconteceu".

A imposição de um limite para os gastos públicos federais foi criada no governo de Michel Temer, em 2016, e entrou em vigor no ano seguinte.

O teto é corrigido todos os anos pela variação da inflação acumulada em 12 meses até junho do ano anterior e, criado após um período de forte aumento dos gastos e da dívida pública brasileira, a medida é vista por defensores como uma âncora na credibilidade da política fiscal do Brasil.

Em uma análise sobre o cenário econômico nacional, o petista afirmou que "a inflação está descontrolada nos preços controlados", a exemplo dos altos custos da gasolina, diesel e energia elétrica que, segundo ele, "não têm nenhuma lógica".

"Se o governo não controla os preços subordinados a ele controlar, ele não tem moral sequer para passar confiança nos outros cidadãos da sociedade que vendem produto para o povo consumir", afirma.

Dentre seus planos de governo para contornar a crise brasileira, Lula pontua que é preciso haver uma expansão de crédito concomitante à geração de emprego e distribuição de renda.

"Tem que fazer com que o crédito chegue na mão das pessoas para que as pessoas possam consumir", pontua, dizendo que só assim a "roda gigante da economia começa a girar de forma saudável".

Para ele, é preciso dinamizar a economia ao conceder créditos para diferentes setores da sociedade, desde empresários, empreendedores até produtores rurais.

"Quando a gente faz com que o dinheiro chegue, um pouquinho que seja, no bolso do povo, o pobre deixa de ser problema e passa a ser solução", destacou.

Ao defender o papel do Estado na reestruturação econômica, Lula disse que se o governo "estiver cumprindo suas funções sociais, o Estado vai estar fazendo investimento na melhoria da qualidade de vida das pessoas".

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