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Brasileiro desconfia de discurso de empresas

O brasileiro também é mais descrente: em 15, de 18 setores da economia, a percepção é mais negativa que a média global. - Getty Images
O brasileiro também é mais descrente: em 15, de 18 setores da economia, a percepção é mais negativa que a média global. Imagem: Getty Images

25/11/2021 17h00

Os brasileiros estão mais céticos em relação ao cumprimento das responsabilidades socioambientais pelas empresas. Estudo do Instituto Akatu (de valorização do consumo consciente) em parceria com a consultoria GlobeSkan mostra que, em 2021, houve uma queda generalizada na avaliação do consumidor sobre o comprometimento das companhias com a sociedade e o meio ambiente.

No setor de petróleo, por exemplo, que registrou o pior desempenho, o índice passou de -13% (respostas negativas subtraídas das positivas) em 2020 para -47% neste ano. No total, 47% dos segmentos econômicos analisados apresentaram resultado negativo.

Na comparação com outras 18 nacionalidades, o brasileiro também é mais descrente: em 15, de 18 setores da economia, a percepção é mais negativa que a média global. O setor petroleiro também registrou a maior diferença entre a percepção brasileira (-47%) e a média dos países (-18%).

Segundo o instituto, há duas possibilidades para o resultado do levantamento - que ouviu 31 mil pessoas, sendo mil no Brasil. A primeira é que as empresas brasileiras tenham tido, em 2021, um desempenho inferior no cumprimento de suas responsabilidades. A segunda é que a exigência dos consumidores aumentou após 2020, quando as companhias foram excepcionalmente ativas.

"Em 2020, muitas empresas colaboraram na área da saúde e na redução da vulnerabilidade da população mais pobre. Isso não ocorreu na mesma proporção em 2021, mas as pessoas mantiveram a expectativa de que as empresas iam continuar fazendo. Já as empresas não esperavam que a pandemia fosse tão extensa", diz o presidente do Akatu, Helio Mattar.

Movimentação

O diretor de comunicação do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), Paulo Henrique Soares, destaca que o setor tem buscado aprimorar suas práticas socioambientais. Em 2019, após a tragédia de Brumadinho, 200 especialistas de diversas mineradoras se juntaram para traçar metas para que as empresas da área aperfeiçoassem as políticas internas de ESG (aspectos ambientais, sociais e de governança, na sigla em inglês). "Temos muitos avanços. É óbvio que as duas fatalidades, com o rompimento de barragens (em Brumadinho e Mariana), nos impacta, mas estamos trabalhando para melhoria do cumprimento dessa responsabilidade", diz Soares.

Em outubro, o Ibram divulgou a agenda do setor com metas até 2030, como redução de 10% no uso de água e tolerância zero com acidentes com morte.

No setor petroleiro, o presidente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás, Eberaldo de Almeida Neto, lembra que o derramamento de petróleo na costa brasileira em 2019 prejudicou a imagem das companhias. As investigações, porém, apontaram que o óleo tinha origem venezuelana.

O executivo destaca que, no Brasil, a maior parte da exploração é de alta produtividade e, portanto, emite menos gases de efeito estufa. Ainda assim, o IBP está revendo as metas de redução dos gases do setor.

Mercado

O levantamento do Akatu e da Globeskan mostra que, para os brasileiros, ter mais informações sobre onde encontrar serviços e produtos saudáveis e sustentáveis de baixo custo seria a melhor forma de ampliar o consumo desses itens. Dos brasileiros, 59% apontaram essa necessidade. Na média global, 45%.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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