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STF suspende julgamento sobre marco do saneamento; Fachin retomará voto amanhã

Três ministros votaram a favor da lei, mas Fachin já adiantou que vai divergir dos colegas em alguns pontos - Nelson Jr./SCO/STF
Três ministros votaram a favor da lei, mas Fachin já adiantou que vai divergir dos colegas em alguns pontos Imagem: Nelson Jr./SCO/STF

Amanda Pupo

Brasília

01/12/2021 17h33Atualizada em 01/12/2021 18h06

O Supremo Tribunal Federal (STF) retomará na quinta-feira, 2, o julgamento sobre o novo marco legal do saneamento, após suspender a análise das ações nesta quarta, durante voto do ministro Edson Fachin. Até o momento, três integrantes da Corte votaram pela manutenção integral da lei, mas Fachin já mostrou que irá divergir em alguns pontos. O julgamento será reiniciado com a conclusão do voto de Fachin.

Até o momento, o ministro apontou ser contrário ao principal pilar da lei do saneamento, que foi impor a obrigatoriedade de licitação para contratação dos serviços no setor.

Antes do novo marco, os municípios podiam fechar contratos diretamente com as empresas estaduais de saneamento. Com isso, as estatais passaram a dominar o mercado nas últimas décadas. O formato, no entanto, foi considerado fracassado ao deixar relevante parte da população desatendida.

Para Fachin, essa imposição viola a autonomia municipal.

"Ao permitir aos municípios apenas opções de prestação direta do serviço ou concessão mediante licitação, com exclusão do modelo de delegação, via gestão associada a entidade da administração indireta de outro ente federativo, esse arranjo em meu modo de ver contraria a autonomia municipal", disse Fachin.

Em meu modo de ver, violando a autonomia municipal, estamos curando a doença [déficit no atendimento do saneamento] matando o doente.
Edson Fachin, ministro do STF

Os ministros Alexandre de Moraes e Luiz Fux, que já se manifestaram para manter a lei, reafirmaram durante o voto de Fachin que o modelo baseado em contratos sem licitação foi problemático e gerou o quadro atual de cobertura deficitária dos serviços de água e esgoto.

"Os contratos de programa (fechados sem licitação) destroem o marco legal do saneamento. O objetivo foi criar um novo modelo e evitar aquilo que não deu certo", afirmou Fux.

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