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Cenário para inflação está pior e mais persistente do que o esperado, diz Powell

São Paulo

26/01/2022 17h46

O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), Jerome Powell, destacou que espera que os índices de preços irão diminuir ao longo deste ano. Ele, contudo, afirmou que o cenário para a inflação atualmente está pior e mais persistente do que o esperado há alguns meses. "Há risco de que inflação pode ser mais persistente do que esperado", apontou. "O cenário é altamente incerto, teremos que ser adaptáveis e mover de acordo."

Ele comentou que as políticas monetária e fiscal ajudaram no apoio da recuperação da economia americana. Contudo, ele destacou que a expansão da demanda agregada nos EUA pode ser afetada devido a questões de saúde pública, relativas à pandemia da covid-19.

"A Ômicron exerce peso sobre o nível de atividade neste trimestre", comentou Powell. "A covid-19 não terminou e corremos risco de poder evoluir."

Powell ressaltou que a inflação continua acima da meta do Federal Reserve, provocado por problemas de fornecimento das cadeias internacionais de produção, que estão em um em um contexto de economia em plena expansão e com mercado de trabalho "muito, muito forte" e há dificuldades para empresas encontrarem trabalhadores para preencher vagas.

Cadeias de produção

O presidente do Federal Reserve comentou ainda que "não vemos progresso nas cadeias de produção" globais e este problema pode continuar até 2023, inclusive com os "fatos no Leste Europeu", uma referência indireta à crise diplomática gerada pela ameaça de invasão militar da Rússia à Ucrânia.

Segundo Jerome Powell, os gargalos de fornecimento de produtos em escala internacional é um risco à economia americana que será devidamente monitorado pelos dirigentes do Fed.

Cenários

Powell ressaltou em entrevista coletiva que "não há no nosso cenário levar a inflação abaixo de 2%", mas sim uma inflação simétrica nesta marca. Isto significa que ela pode ficar por algum tempo acima ou abaixo daquele patamar. Powell, contudo, se disse "inclinado a subir a minha própria previsão do núcleo do PCE para 2022 em alguns décimos".

O presidente do Fed apontou que as condições da alta inflação, que ficou mais persistente do que o esperado inclusive no final do ano passado, justifica que o Comitê Federal de Mercado Aberto deverá subir os juros logo. "O mercado de trabalho ficará forte por um certo tempo e tentaremos levar a inflação para baixo", destacou. "Nosso trabalho é levar a inflação a 2%. Há significativa ameaça ao mercado de trabalho, que é alta inflação." Ele apontou que a inflação está com um desempenho pior do que o esperado, e que "se a situação se deteriorar, inclusive sobre o seu tamanho, vamos adotar medidas".