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Movimento inflacionário permanece com impacto na queda do rendimento, diz IBGE

Rio

28/01/2022 13h41

Em meio à pressão da inflação e à geração de empregos com salários menores, o rendimento médio real habitual do trabalho renovou os recordes de baixa no trimestre móvel terminado em novembro de 2021, conforme os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgados nesta sexta-feira, 28, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo Adriana Beringuy, coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, tanto a queda de 4,5% na comparação com o trimestre móvel imediatamente anterior, encerrado em agosto de 2021, quanto o tombo de 11,4% ante igual período de 2020 são recordes na série histórica da Pnad Contínua, iniciada em 2012. O valor de R$ 2.444 é o menor já registrado na série de trimestres móveis encadeados.

Na avaliação de Adriana Beringuy, o "movimento inflacionário" permanece com impacto na queda do rendimento, ao mesmo tempo em que a retomada do mercado de trabalho, após ser atingido em cheio pela pandemia de covid-19, tem se dado com ocupações que pagam menos do que antes da crise.

No início dessa recuperação, ainda em 2020, a queda no rendimento vinha sendo marcada por um efeito composição. Como a geração de empregos vinha sendo puxada por vagas tidas como informais, que tradicionalmente pagam menos, o rendimento médio de todos os trabalhadores vinha caindo. No fim de 2021, porém, a geração de empregos formais ganhou força, pesando mais na expansão da ocupação.

"Até mesmo os trabalhadores com o carimbo da formalidade estão trabalhando com rendimentos mais baixos. A entrada ou participação maior de trabalhadores com carteira ainda não é suficiente para mudar o movimento de queda no rendimento", afirmou Adriana.

Os dados da Pnad Contínua mostram isso. Embora a queda no rendimento real tenha sido maior (11,4% em um ano) na média geral dos trabalhadores, os ocupados com carteira assinada também experimentaram um tombo de 8,7% ante o trimestre móvel até novembro de 2020.

O rendimento médio dos empregados com carteira assinada ficou em R$ 2.343 ao mês, ligeiramente abaixo da média total, de R$ 2.444.