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Com guerra, FMI deve rever previsão de PIB global, mas ainda crê em alta

São Paulo

22/03/2022 13h44

O Fundo Monetário Internacional (FMI) deve rever para baixo sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) global em 2022, diante da guerra na Ucrânia, mas ainda espera crescimento econômico, disse a diretora-gerente da instituição, Kristalina Georgieva. "No começo do ano, houve uma pequena redução das projeções de crescimento em 2022, em meio ponto porcentual, a 4,4%. Nossa expectativa é que as previsões caiam ainda mais, mas continuem em território positivo", afirmou, em entrevista à Foreign Policy, transmitida ao vivo nesta terça-feira.

O relatório com projeções do FMI será publicado em meados de abril e permitirá ao fundo dar mais detalhes sobre o impacto do conflito sobre a economia, disse Georgieva. "Economias que se recuperaram bem da pandemia, estão mais fortes para lidar com esse choque", destacou ela, citando os Estados Unidos como exemplo. "Aquelas que ainda não saíram da crise da pandemia e estão mais para trás serão atingidas ainda mais duramente. É especialmente preocupante que veremos um possível risco de recessão em países onde o choque vem sobre uma economia já fraca."

Entre países de baixa renda, 60% lidam com estresse da dívida, disse ela o dobro do período que antecedeu a pandemia.

Georgieva disse ser necessário "aprender a lidar com mais de uma crise ao mesmo tempo" e destacou a importância de formuladores de políticas, em especial bancos centrais, estarem "à frente da curva" e não esperarem ser diretamente atingidos pelo choque para agir. Ela frisou ser necessário focar nas pessoas mais vulnerávies, "para quem preços mais altos de energia e comida significam devastação".

A diretora afirmou ainda que é possível ver a economia da Ucrânia encolher a um terço do que era antes do conflito. "Todos rezamos para que a guerra acabe e então haveria um esforço necessário para reconstrução massiva da economia ucraniana e é claro que o FMI fará sua parte", disse.

Quanto ao uso de dinheiro digital, Georgieva disse que a aplicação está "em esteróides", com a intensificação de digitalização generalizada durante a pandemia. Primeira subdiretora-gerente do FMI, Gita Gopinath afirmou não ser possível quantificar, no momento, como esta guerra em particular refletiu sobre o uso de criptomoedas.

O FMI garantiu financiamento emergencial de US$ 1,4 bilhão à Ucrânia e tem ajudado o país com medidas para gerenciar a crise, observou Georgieva.