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Campos Neto faz trabalho muito importante à frente do BC, diz Meirelles

Meirelles fez esta consideração ao ser perguntado por um analista da CM Capital sobre como está vendo a gestão de Campos Neto e o que faria se estivesse no lugar do atual banqueiro central - Leco Viana/TheNews2/Estadão Conteúdo
Meirelles fez esta consideração ao ser perguntado por um analista da CM Capital sobre como está vendo a gestão de Campos Neto e o que faria se estivesse no lugar do atual banqueiro central Imagem: Leco Viana/TheNews2/Estadão Conteúdo

Francisco Carlos de Assis

São Paulo

19/04/2022 17h57

O ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles, que também foi ex-presidente do Banco Central, disse nesta terça-feira, 19, o atual presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, está fazendo um trabalho importante à frente da instituição. "Ele está trabalhando duro e está enfrentando uma situação muito difícil porque o trabalho do BC quando se tem uma gestão fiscal que não está cumprindo sua missão no sentido de contrair gastos públicos é complicado", disse o ex-ministro durante participação em uma webinar organizada pela CM Capital.

Meirelles fez esta consideração ao ser perguntado por um analista da CM Capital sobre como está vendo a gestão de Campos Neto e o que faria se estivesse no lugar do atual banqueiro central.

De acordo com o ex-ministro, o momento o BC não conta com uma clareza sobre austeridade fiscal como contou na época em que ele, Meirelles, ministro, apresentou a proposta de teto fiscal, que levou, nas palavras dele, a uma queda da inflação.

"A estabilidade fiscal levou a uma queda das expectativas de inflação e isso permitiu o BC da época - o Ilan Goldfajn estava lá - um controle da inflação, que chegou a estar abaixo da meta com juros bastante baixos e que chegou a níveis historicamente baixos", lembrou Meirelles.

Agora, reiterou o ex-ministro, a situação é muito difícil para o BC porque há uma situação fiscal que gera muita incerteza e isso faz com que, na prática, cria uma situação inflacionária elevada. E isso, de acordo com Meirelles, dentro de um quadro de baixo crescimento, de quase estagflação, e um nível de desemprego muito alto.

Sobre a parte da pergunta em que o interlocutor queria saber o que faria se estivesse no BC e se a instituição não teria demorado para elevar juros, o ex-banqueiro central disse que tendo estado à frente do BC por oito anos, toma um pouco de cuidado para falar o que o BC deveria ou não fazer.

"Primeiro por uma questão de protocolo e, segundo, porque as situações mudam e, em terceiro, porque o BC tem um sistema de modelos que já eram na época dele muito avançados e acredito que hoje sejam mais ainda. Então, com esses modelos nas mãos, o BC tem muito mais condições de julgar e julgar tendências da inflação", ponderou Meirelles, que durante sua gestão à frente do BC teria sofrido com as supostas tentativas do então ministro da Fazenda Guido Mantega de influenciar as decisões de política monetária do da instituição.

No entanto, se valendo do fato de que hoje se tem mais informações do que se tinha lá atrás, o que torna mais fácil o olhar retrospectivo, Meirelles disse parecer que o BC demorou para começar a subir a taxa de juro de referência da economia brasileira.

O ex-ministro disse ainda não ter dúvida de que agora, depois que a inflação atingiu dois dígitos, o custo de se baixar juro será maior.

"Mas como já disse, olhando retrospectivamente, fica fácil falar", disse o ministro, ponderando que, como não tem acesso aos modelos do BC da época, não é fácil julgar o que se pensava dentro do BC.