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Chefes de Departamento do BC enviam carta à diretoria e pedem bônus por produtividade

Edifício-Sede do Banco Central em Brasília - Marcello Casal JrAgência Brasil
Edifício-Sede do Banco Central em Brasília Imagem: Marcello Casal JrAgência Brasil

Thaís Barcellos

Brasília, 08

08/06/2022 19h53

Os chefes de Departamento e de Gabinete do Banco Central enviaram uma carta à diretoria da autarquia em que manifestam preocupação com a falta de avanços nas demandas salariais dos servidores do órgão e citam como fundamental a criação de um bônus de produtividade, após serem avisados que ficariam sem reajuste este ano.

No documento, que foi obtido pelo Broadcast, os funcionários em cargos de chefia apontaram riscos às entregas da agenda de inovação, a BC#, e das demais iniciativas estratégicas da casa.

Os servidores estão em greve desde 1º de abril, em busca de recomposição salarial e reestruturação de carreira, o que tem impactado diversos serviços e divulgações do BC, deixando o mercado "no escuro". Na última sexta-feira, 3, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, avisou aos sindicatos que não haveria reajuste salarial para o órgão, em consonância com o discurso atual do presidente Jair Bolsonaro.

Mas Campos Neto disse que seria enviada uma minuta de Medida Provisória ao governo com as pautas não salariais, que envolve a definição da carreira como típica de Estado, exigência de nível superior para o concurso para técnico do órgão, mudança do nome de cargo de analista para auditor e a criação da taxa de supervisão.

Na carta, porém, os chefes de Departamento pedem a "reinserção imediata da retribuição por produtividade institucional na minuta de MP e o patrocínio perseverante em seu trâmite".

Eles destacam que a minuta apresentada não tem nenhuma medida que encaminhe a questão da recomposição salarial diante das perdas inflacionárias dos últimos anos e de "assimetrias existentes".

Sem avanços nessa pauta, os servidores apontam que há riscos que podem impactar a capacidade de atração e retenção de pessoal e a produtividade dos servidores, "inviabilizando a gestão" do BC.

"A permanência deste cenário torna o clima insustentável, com impactos extremamente negativos nas atividades em geral e no operacional deste BCB. Ficam, assim, inviáveis as entregas da agenda BC# e das demais iniciativas estratégicas desta Casa", completaram.

Diante da informação de que ficariam sem reajuste e da avaliação de que são necessários avanços na pauta não salarial, a categoria decidiu ontem manter a greve por tempo indeterminado. O presidente do Sindicato Nacional de Funcionários do Banco Central (Sinal), Fábio Faiad, também informou que os servidores reduziram a demanda de recomposição salarial de 27% para 13,5%.