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'Ainda não acreditam em uma empresa nordestina', diz fundador do Grupo Mateus

Para este ano, a companhia pretende abrir 50 novas lojas - no primeiro trimestre, já foram 16 - para alcançar a meta de dobrar de tamanho até 2025 - Divulgação
Para este ano, a companhia pretende abrir 50 novas lojas - no primeiro trimestre, já foram 16 - para alcançar a meta de dobrar de tamanho até 2025 Imagem: Divulgação

André Jankavski

São Paulo

13/06/2022 08h35

Um ano e meio depois de estrear na Bolsa, o Grupo Mateus segue em ritmo acelerado de expansão mesmo em um momento complicado para o varejo. Para este ano, a companhia pretende abrir 50 novas lojas - no primeiro trimestre, já foram 16 - para alcançar a meta de dobrar de tamanho até 2025.

Segundo Ilson Mateus, fundador e presidente da companhia, a varejista se prepara para expandir as suas lojas para as capitais do Norte e do Nordeste (até agora, o foco total da varejista era o interior), além de estar testando um novo formato de loja híbrida, que mistura vendas de atacado com supermercados, em cidades menores.

Porém, mesmo cumprindo o plano de expansão, a operação do Grupo Mateus está gerando preocupações entre os investidores exatamente por causa da velocidade de crescimento em um cenário de inflação e juros em alta.

Resultado: uma queda de 35% no preço das ações desde janeiro e um valor de mercado 50% menor em comparação ao IPO (oferta inicial de ações, na sigla em inglês).

Para Mateus, o mercado ainda não entendeu o negócio da empresa. Ele pede um voto de confiança dos investidores diante do histórico de resultados positivos.

"Mesmo que tenhamos ficado muito conhecidos, as pessoas ainda não acreditam em uma empresa que é do Nordeste e no que ela é capaz de fazer", afirma Mateus. "Eu quero que os nossos investidores reconheçam o que fizemos em 35 anos e, depois que abrimos capital, não mudamos uma vírgula do nosso plano."

Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista:

Como está o plano de expansão da empresa? Vocês seguem com os planos de abrir 50 lojas ao ano?

O nosso plano de expansão está acelerado e abrimos capital para isso. Estamos a todo vapor tentando ocupar os nossos espaços e conquistar novas fatias de mercado. E temos um jeito simples do interior, somos uns caipiras da roça, e aprendemos a nos 'virar nos 30'. O nosso modelo de negócio nasceu por causa das dificuldades que tínhamos. Começamos com um modelo de atacado e percebemos que as cidades do interior tinham muitas oportunidades e que precisávamos de volume para o negócio.

Mas a expansão vai continuar pelo interior ou a empresa vai querer crescer também nas capitais?

Pelo tamanho que temos hoje, já faz todo o sentido irmos para as capitais. Abrimos uma loja recentemente na cidade de Aracaju - e os resultados me surpreenderam muito. Criamos um modelo de atacado com muito serviço de varejo pensando na necessidade do interior. Por lá, eles precisam encontrar tudo em um lugar só e isso virou uma grande fortaleza do nosso negócio. E isso trouxe um grande resultado para Aracaju.

Há planos para ir além de Aracaju?

Vamos abrir duas lojas em Maceió no próximo dia 21 (de junho) e já estamos com obras em Recife. Também estamos prospectando locais em João Pessoa. Mas nós queremos ocupar todas as capitais do Norte e do Nordeste.

O modelo de expansão vai ser focado no atacarejo ou em outros formatos?

Vamos focar em atacarejo e também abrir supermercados. Mas também estamos apostando em um novo modelo, que é o de uma loja híbrida, que tem uma parte de varejo e outra de atacado. É uma ideia nova, que dá uma experiência melhor para o pequeno e médio varejista. No caso das capitais, vamos abrir mais atacarejo para ocupar os espaços nessas grandes cidades.

Mas o que muda nesse novo modelo híbrido?

Temos uma vontade de testar novos modelos porque o varejo muda muito. Esse modelo de loja tem 2 mil metros quadrados (uma loja tradicional de atacarejo possui cerca de 5,5 mil metros quadrados) e é direcionado para cidades de 40 mil e 50 mil habitantes, que costumam ser o polo de outras cidades menores, de cerca de 10 mil habitantes. É uma loja menor que consegue atender a esses clientes de atacado e precisa ter menos funcionários do que um atacarejo. Temos seis lojas nesse modelo e vamos esperar maturar para entender se é um modelo que vai se adaptar às cidades.

O mercado está passando por momentos complicados, mas as ações do Grupo Mateus estão caindo mais do que a média do setor. Como o senhor enxerga isso?

O mercado ainda não entende o nosso negócio, mas estamos relativamente tranquilos porque o que estamos buscando é resultado. Nós temos um plano de crescimento robusto para os próximos dois anos e estamos entregando resultados, mesmo com um momento difícil do Brasil e com a inflação em alta.

Mas por que o senhor acredita que o mercado não entende a empresa, ainda mais sendo do setor de varejo?

Mesmo que tenhamos ficado muito conhecidos, muitas pessoas ainda não acreditam em uma empresa nordestina e no que ela é capaz de fazer. Eu quero que os nossos investidores reconheçam o que fizemos nos últimos 35 anos. Depois que abrimos o capital, não mudamos uma vírgula do nosso plano. Sabemos que os investidores precisam ter retorno, mas tenho pedido um voto de confiança para eles. Tenho me desdobrado junto à nossa cúpula, trabalhado muito e enxugando as empresas porque nós acreditam que vamos dar bons resultados.