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Campos Neto diz que Galípolo tem capacidade para ser diretor do BC, mas não foi escolha sua

Brasília e São Paulo

22/05/2023 12h57

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, disse nesta segunda-feira, 22, em seminário do jornal Folha de S.Paulo, que o indicado à diretoria de Política Monetária do BC, Gabriel Galípolo, tem capacidade técnica para assumir o posto, assim como o técnico do BC que foi apontado para a cadeira de Fiscalização, Ailton Aquino. Mas ele destacou que não foi uma escolha sua. "Fiquei sabendo através da mídia", comentou.

Sobre uma possível sucessão de Galípolo, hoje secretário-executivo do Ministério da Fazenda, para a presidência do BC, Campos Neto afirmou que seria deselegante comentar, até porque o número 2 de Fernando Haddad ainda nem foi sabatinado.

Ao anunciar a indicação de Galípolo para o BC, Haddad disse que Campos Neto havia sido a primeira pessoa a mencionar a possibilidade de o secretário-executivo da Fazenda tornar-se diretor da autoridade monetária.

"Qualquer indicação para o BC que venha de fora vai saber que tem um quadro muito técnico e que, se quiser desviar muito da opinião técnica, vai ter que ter um processo de convencimento, que é técnico. Se, depois disso, algum diretor tiver opinião muito diferente do quadro técnico e dos outros diretores, vai ter um debate, que vai se refletir na comunicação do BC. A sociedade e os mercados vão julgar ao longo do tempo os resultados", comentou Campos Neto, no seminário.

Segundo ele, é saudável ter divergência nas decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). Para Campos Neto, com o processo de autonomia e transição de governos, vai diminuir a unanimidade, mas isso vai ocorrer dentro de um ambiente técnico e saudável.

O presidente do BC disse ainda que a autonomia indica que o governo tem o direito de escolher os diretores.

Sobre a autonomia do BC, Campos Neto disse que é importante avançar na parte administrativa e financeira, algo que fica para os seus sucessores.

A autonomia hoje do BC é apenas operacional. Sobre uma possível revisão da independência formal, o presidente do BC disse que é uma questão para o Congresso.