2023 está sendo melhor do que o ano passado para o varejo, avalia IBGE

O comércio varejista brasileiro tem encarado um cenário mais positivo neste ano, por causa da melhora em fatores como a inflação, concessão de crédito e mercado de trabalho, avaliou Cristiano Santos, gerente da Pesquisa Mensal de Comércio no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

As vendas cresceram 0,7% em julho ante junho, o melhor desempenho para o setor desde março, quando também tinha avançado 0,7%.

"É um resultado positivo", resumiu Santos. "E representa então o primeiro ponto depois desse crescimento de março, o primeiro ponto de uma trajetória de crescimento", previu.

De janeiro a julho de 2023, na série que desconta os efeitos sazonais, as vendas do varejo tiveram apenas um mês de recuo: janeiro, alta de 4,0% em relação ao mês imediatamente anterior; fevereiro, 0,0%; março, 0,7%; abril, 0,0%; maio, -0,6%; junho, 0,1%; e julho, 0,7%.

"Tem um crescimento menos volátil do varejo, tanto para baixo quanto para cima. A trajetória da margem não modifica muito o cenário do varejo", avaliou Santos.

O pesquisador diz que o cenário é favorável para o varejo no ano, "positivo de maneira efetiva". "Esse ano está sendo melhor do que o ano passado", afirmou. "Tem alguns elementos que eles foram melhorando ao logo do tempo."

A trégua da inflação foi o principal fator de melhora, mas houve expansão na concessão de crédito a pessoas físicas, aumento no número de pessoas trabalhando, elevação na massa de renda em circulação na economia e desvalorização do dólar ante o real, que ajuda atividades que dependem mais de importações, enumerou Cristiano Santos.

"Aumenta o número de pessoas ocupadas, mais pessoas têm emprego, aumenta a chance de mais pessoas fazerem consumo, e desse consumo ser no varejo, e não nos serviços", explicou ele. "Mas é um (cenário) positivo que não é de grande amplitude, não é crescimento forte", ponderou o gerente do IBGE.

Quatro das oito atividades que integram o comércio varejista registraram avanços nas vendas em julho ante junho: Equipamentos e material para escritório informática e comunicação (11,7%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico (8,4%), Hiper, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,3%) e Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (0,1%).

Na direção oposta, as perdas ocorreram em Tecidos, vestuário e calçados (-2,7%), Livros, jornais, revistas e papelaria (-2,6%), Móveis e eletrodomésticos (-0,9%) e Combustíveis e lubrificantes (-0,1%).

Segundo Santos, crises contábeis em grandes cadeias e o fechamento de lojas físicas têm afetado algumas atividades do varejo nos últimos meses, entre elas a de outros artigos de uso pessoal e doméstico, que inclui as lojas de departamentos. Em julho, promoções pontuais recuperaram o fôlego dessa atividade.

"Três atividades meio que se equivaleram no primeiro semestre como um todo: vestuário e calçados, móveis e eletrodomésticos e outros artigos de uso pessoal e doméstico. São nessas três atividades que estão concentradas as empresas que tiveram essas questões contábeis, principalmente no primeiro semestre. Essas três atividades têm trajetória de queda bastante pronunciada nesse primeiro semestre", explicou Santos. "O que reverteu em julho foi outros artigo de uso pessoal e doméstico. O que fez crescer as lojas de departamento este mês foi promoções muito fortes que ocorreram agora em julho", completou.

No comércio varejista ampliado - que agora inclui as atividades de veículos, material de construção e atacado alimentício - houve recuo de 0,3% em julho ante junho. O segmento de Veículos, motos, partes e peças registrou queda de 6,2%, enquanto Material de construção subiu 0,3%. Santos explica que a nas vendas de veículos em julho se deu por uma antecipação de demanda em junho, motivada pelos descontos do governo em automóveis.

Ainda não há divulgação de dados individuais para o atacado de produtos alimentícios na série com ajuste sazonal, porque é necessário haver uma série histórica mais longa.

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