Ata cita El Niño e petróleo e reforça necessidade de política contracionista e cautelosa

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central afirmou, na ata de seu encontro da semana passada, que, após avaliar a evolução do processo desinflacionário e riscos como o El Niño e o preço do petróleo, que houve uma conclusão unânime no colegiado pela necessidade de "uma política monetária contracionista e cautelosa", para reforçar a dinâmica desinflacionária. Na semana passada o Copom reduziu a Selic pela segunda vez consecutiva, de 13,25% para 12,75% ao ano. Nesta terça-feira, 26, o BC divulgou a ata do encontro.

Na ata, o comitê considerou que houve uma "uma evolução benigna" do cenário corrente de inflação, em linha com o que já era esperado. Essa dinâmica segue caracterizada por dois estágios distintos, em que o primeiro, já ultrapassado, teve evolução favorável de alimentos, bens industriais e preços no atacado.

No segundo, iniciado recentemente, a dinâmica de alimentos e do atacado segue positiva e há desaceleração dos preços de serviços e de serviços subjacentes.

O documento, porém, esclareceu que houve um debate sobre os fatores condicionantes da inflação de serviços, com discussões sobre o realinhamento de preços relativos, o papel do mercado de trabalho e o hiato do produto para as perspectivas de inflação. Em relação aos preços industriais e administrados, o Copom considerou que podem apresentar um comportamento menos benigno do que era anteriormente esperado, em função do movimento recente da taxa de câmbio e do preço das commodities internacionais.

"O Comitê segue avaliando que a volatilidade inerente aos componentes ligados a alimentos e bens industriais sugere a possibilidade de reversões abruptas, recomendando cautela", disse o Copom na ata, citando os riscos, parcialmente incorporados no cenário do El Niño e da evolução do preço internacional do petróleo. "O Comitê optou por incorporar um impacto relativamente pequeno do El Niño em suas projeções de inflação de alimentos, mas alguns membros enfatizaram os impactos inflacionários no caso de ocorrência de um fenômeno El Niño mais extremo", alertou citando a incerteza em relação à magnitude, ao período em que o fenômeno teria maior impacto e aos efeitos sobre diferentes produtos alimentícios.

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