Krugman: Não acho que BCs de Brasil, EUA e Europa tinham outra opção além de elevar juros

O economista americano e vencedor do Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman afirmou que os bancos centrais do Brasil, dos Estados Unidos e da zona do euro não tinham outra opção no período pós-pandemia que não elevar os juros. Segundo ele, guardadas as devidas diferenças, o cenário visto no Brasil não é tão diferente do que se viu nas outras duas economias.

"Não acho que esses bancos centrais do Brasil, dos EUA e da UE tinham outra opção que não elevar os juros", disse ele durante participação na Fides 2023, evento internacional do mercado de seguros que acontece no Rio de Janeiro nesta terça-feira, 26. Krugman afirmou que o cenário visto após a reabertura das economias não era de superaquecimento, mas que os BCs tiveram de apertar a política monetária para evitar que esse risco se concretizasse.

O economista afirmou que não comentaria de forma mais específica sobre o caso do Brasil, por conhecer pouco das especificidades do atual cenário econômico brasileiro. De modo geral, segundo ele, os juros poderiam ser mais baixos nas principais economias do mundo se as políticas fiscais estivessem menos expansionistas. "Os Estados Unidos estão gerando gigantescos déficits fiscais", disse ele, em um exemplo.

Krugman afirmou ainda que os juros mais altos por mais tempo trazem riscos à estabilidade financeira global, por dois motivos. O primeiro é o fato de que as instituições financeiras detêm uma série de títulos públicos, que perdem valor de face com a alta dos juros. O segundo é a própria dívida pública, que está alta na maioria dos países. "Se os juros ficam mais altos por mais tempo, esses fatores se tornam uma preocupação."

Não estou pronto para apostar em cortes de juros nos EUA ou na Europa

Krugman afirmou que não vê cenário para corte de juros nos Estados Unidos e na Europa no curto prazo. De acordo com ele, mesmo com a inflação baixando, a atividade ainda resiliente das economias se torna uma fonte de preocupação para os bancos centrais.

"Não estou pronto para apostar em cortes de juros nos Estados Unidos ou na Europa, simplesmente porque não vemos ainda um enfraquecimento significativo das economias", disse ele, durante participação na Fides 2023, evento internacional do mercado de seguros que acontece no Rio de Janeiro nesta terça-feira, 26.

De acordo com o economista, o Federal Reserve, o Banco Central americano, não deve voltar a elevar os juros, mas isto não significa que já seja possível reduzi-los. Segundo ele, a preocupação dos bancos centrais das principais economias deixou de ser a inflação, e se tornou o risco de superaquecimento das economias caso os juros caiam, dado que, mesmo com o aperto monetário, não houve recessão.

Segundo o Nobel de Economia, este cenário pode trazer no futuro problemas para a sustentabilidade da dívida pública americana. Krugman afirmou que quando os juros dos EUA estavam próximos a zero e consistentemente abaixo das taxas de crescimento do país, era possível sustentar déficits fiscais "para sempre". "Mas este cenário se reverteu nos últimos meses por causa da alta dos juros", disse, ressalvando que isso não deve gerar preocupações no curto prazo.

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