Juro médio no crédito livre cai para 43,5% em agosto, diz BC; cheque especial fica em 132,0%

Em meio ao início do processo de queda dos juros básicos da economia, a Selic, a taxa média de juros no crédito livre mostrou redução em agosto ante julho. O porcentual passou de 43,8% ao ano para 43,5% ao ano, informou nesta quarta-feira, 27, o Banco Central. No oitavo mês de 2022, a taxa, por sua vez, era mais baixa, de 40,6%.

Para as pessoas físicas, a taxa média de juros no crédito livre passou de 58,3% para 57,7% ao ano de julho para agosto.

No segmento de pessoas jurídicas, a taxa variou de 23,0% para 22,6% entre os dois meses.

Cheque especial

Entre as principais linhas de crédito livre para a pessoa física, o cheque especial mostrou estabilidade entre julho e agosto, com taxa de 132,0% ao ano. No crédito pessoal, a taxa passou de 42,6% para 42,1% ao ano.

Desde 2018, os bancos estão oferecendo um parcelamento para dívidas no cheque especial. A opção vale para débitos superiores a R$ 200. Em janeiro de 2020, o BC passou a aplicar uma limitação dos juros do cheque especial, em 8% ao mês (151,82% ao ano).

Veículos

Os dados divulgados nesta quarta-feira pelo Banco Central mostraram ainda que, para aquisição de veículos, os juros foram de 26,1% ao ano em julho para 26,2% em agosto.

Juros no crédito total

A taxa média de juros no crédito total, que inclui operações livres e direcionadas (com recursos da poupança e do BNDES), foi de 31,1% ao ano em julho para 30,7% ao ano em agosto. No oitavo mês de 2022, estava em 29,1%.

ICC

Já o Indicador de Custo de Crédito (ICC) manteve estabilidade em agosto ante julho, aos 22,5% ao ano. O porcentual reflete o volume de juros pagos, em reais, por consumidores e empresas no mês, considerando todo o estoque de operações, dividido pelo próprio estoque.

Na prática, o indicador reflete a taxa de juros média efetivamente paga pelo brasileiro nas operações de crédito contratadas no passado e ainda em andamento.

Spread

O spread em operações de crédito apresentou redução/aumento em agosto. Dados divulgados pelo Banco Central mostram que o spread bancário médio no crédito livre passou de 32,5 pontos porcentuais em julho para 32,3 pontos porcentuais em agosto, informou o BC.

No segmento pessoa física, o spread passou de 46,9 para 46,4 pontos porcentuais entre os dois meses. Para pessoa jurídica, o spread médio caiu de 11,9 para 11,6 pontos porcentuais na passagem de julho para agosto.

O spread é calculado com base na diferença entre o custo de captação de recursos pelos bancos e o que é efetivamente cobrado dos clientes finais (famílias e empresas) em operações de crédito.

O spread médio do crédito direcionado, caiu de 4,8 para 4,7 pontos porcentuais na passagem de julho para agosto.

Já o spread médio no crédito total (livre e direcionado) foi de 21,6 para 21,3 pontos porcentuais entre os dois meses.

Inadimplência

A taxa de inadimplência nas operações de crédito livre com os bancos ficou estável em 4,9% em agosto ante julho (considerando o dado revisado do sétimo mês), informou o Banco Central.

Enquanto para as pessoas físicas, a taxa de inadimplência recuou de 6,2% para 6,1% de um mês para o outro, para empresas, subiu de 3,2% (dado revisado) para 3,3% no período - o maior porcentual desde agosto de 2018.

A inadimplência do crédito direcionado (recursos da poupança e do BNDES) continuou em 1,6% em agosto ante julho (considerando o dado revisado do sétimo mês). Já o dado que considera o crédito livre mais o direcionado mostra que a taxa de inadimplência também se manteve em 3,6% em agosto.

Endividamento das famílias

O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro fechou o mês de julho em 47,8%, menor do que em junho (48,2%, dado revisado). O recorde da série histórica do Banco Central ocorreu há exatamente um ano, em julho de 2022 (50,1%). Se forem descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento ficou em 30,2% no sétimo mês de 2023, contra 30,5% em junho.

Julho foi o primeiro mês de operação do programa federal de renegociação de dívidas Desenrola. Na fase do programa iniciada no dia 17 daquele mês - e ainda em vigor -, é possível renegociar dívidas bancárias de consumidores que ganham até R$ 20 mil mensais, sem garantia do Tesouro Nacional.

Além disso, o nome de pessoas que tinham dívidas de até R$ 100 nos bancos foi "desnegativado" automaticamente, sem o perdão dos compromissos. A segunda fase, para quem ganha até dois salários mínimos (R$ 2.640), deve começar em outubro e terá garantia do Tesouro.

Segundo os dados do BC para o mês de julho, o comprometimento de renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) terminou o mês em 27,6%. Em junho, o porcentual era de 28,3%, recorde da série. Descontados os empréstimos imobiliários, o comprometimento da renda ficou em 25,5% no sétimo mês do ano, ante 26,1% em junho (dado revisado).