Suco de laranja: Mudança no PIS/Cofins pode custar R$ 400 Mi, diz setor

O setor de suco de laranja deve ter um impacto de cerca de R$ 400 milhões com a Medida Provisória 1.227/24. A nova MP - editada pelo governo federal como forma de compensar a volta da desoneração da folha de pagamentos - mexe nas regras de ressarcimento do PIS/Cofins pelas empresas.

Na avaliação da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (Citrus BR), a decisão do governo "é equivocada e desproporcional, ao proibir a utilização de créditos de PIS/Cofins para pagamentos de débitos tributários das empresas", disse em comunicado.

Ainda para a entidade, a medida "vai na contramão" do PLP 68/2024, que visa regulamentar a reforma tributária, com "celeridade no ressarcimento e na não cumulatividade" de impostos.

O impacto preliminar é estimado em cerca de R$ 400 milhões, mas pode ser ainda maior.

Ibiapaba Netto, diretor executivo da entidade em nota da Citrus BR

A Citrus BR diz ainda que, considerando-se a publicação das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que tratam justamente da não cumulatividade de PIS/Cofins, a Medida Provisória 1.227/24 "impõe um retrocesso de 20 anos a todo o agronegócio brasileiro e ao setor de suco de laranja em particular".

No mesmo sentido, a alteração no artigo 74 3º da Lei nº 9.430/96, que proíbe a utilização dos créditos de PIS/Cofins para compensação com outros tributos federais, "agrava ainda mais a situação".

A entidade relata também que a MP revoga diversas hipóteses de ressarcimento e compensação de créditos presumidos relacionados a diversos setores, "incluindo a indústria de suco de laranja", prevista na Lei 12.794/13, Artigo 15 4º, incisos I e II.

"É importante destacar que essa lei corrigiu um erro histórico, ao permitir que créditos antes inutilizáveis pudessem ser ressarcidos ou compensados com o pagamento de tributos federais e agora estamos revisitando o mesmo erro", analisa o executivo.

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Segundo Netto, é importante destacar que, em 2024, o governo federal já atingiu um recorde de arrecadação. "Portanto, o ajuste fiscal deveria ser feito por meio de uma melhor gestão das receitas e não pelo aumento da carga tributária, que já está no limite".

Para ele, a MP "mina a confiança do setor privado nas propostas oferecidas pelo governo federal por meio do PLP 68/24". "Como pode o governo, num projeto de lei pedir que o contribuinte confie numa suposta melhora do sistema, e o mesmo governo apresenta uma Medida Provisória com efeitos imediatos que vai totalmente na linha contrária?", indaga.

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