Falência de empresas cria duas "metamorfoses" na Bovespa - e há mais 18 na espera

SÃO PAULO - Dizem que são nas crises que surgem as maiores oportunidades. E aqui no Brasil, dois casos curiosos deixaram essa afirmação evidente. D uas empresas entraram na Bovespa de uma maneira diferente: ao invés dos tradicionais IPOs (Ofertas Públicas Iniciais, na sigla em inglês), elas optaram por realizar uma verdadeira  "metamorfose", mudando desde o nome até sua razão social e ramo de atuação.

As ações destas companhias se arrastavam no mercado, em meio às suas delicadas situações financeiras.  E esses dois casos mostram algumas diferenças: no primeiro,  a própria empresa decidiu passar por uma radical mudança, deixando o ramo de mineração e passando a ser uma empresa de cosméticos; já a segunda deixou de ser uma empresa de telecomunicações ao ser adquirida por uma companhia formada apenas por traders do mercado financeiro.

Esses casos poderiam ser chamados de exceções da regra tradicional de entrada na Bolsa, que é através de uma oferta de ações. Mas um levantamento feito pela BM&FBovespa a pedido do InfoMoney mostra que muitas outras "exceções" podem surgir. Atualmente, 18 ações encontram-se em situações propensas a essas "transformações". Isto é, empresas, em primeiro lugar, em recuperação judicial, já sem liquidez no mercado, à espera de um "fato novo" para sair do fundo do poço.

São elas: Buettner (BUET4), Chiarelli (CCHI4), Eneva (ENEV3), Fibam (FBMC4), GPC Participações (GPCP3), Lupatech (LUPA3), Mangels (MGEL4), Metalúrgica Duque (DUQE4), Nova Óleo (OGSA3), Óleo e Gás Participações (OGXP3 - antiga OGX), OSX Brasil (OSXB3), Pet Manguinhos (RPMG3), Rede Energia (REDE3), Sansuy (SNSY5), Schlosser (SCLO4), Sultepa (SULT4), Tecelagem São José (SJOS4), Tecnosolo (TCNO4) e Teka (TEKA4).  

Entenda as 2 "metamorfoses"
O primeiro caso ocorreu no começo do ano, quando a  antiga pré-operacional de mineração All Ore desistiu de operar no setor de exploração no Brasil e anunciou um acordo para comprar negócios de produto e distribuição de cosméticos e produtos de beleza, mudando seu nome, posteriormente para Sweet Cosmetics. Em junho, a empresa concluiu a alteração do seu ticker de negociação na Bolsa de AORE3 para SWET3

Com capital aberto desde 2009, a diretoria da empresa decidiu que seria melhor passar por uma mudança radical, depois de ver seu principal negócio afundar. No ano passado, o preço do minério de ferro caiu mais de 50% no mercado internacional. Com a crise do minério desanimando os investidores, a companhia resolveu mudar seu negócio. Entre janeiro e setembro do ano passado, a companhia acumulou prejuízo de R$ 4 milhões. 

O segundo exemplo veio com "transformação" da Inepar Telecomunicações em Atom ( ATOM3 ) na Bovespa, em outubro deste ano. Ao invés do tradicional IPO, a empresa - que é uma   "proprietary trading" (mesa proprietária, na tradução em inglês) - chegou ao mercado por meio da OPA (Oferta Pública de Aquisição) de totalidade dos papéis da companhia de telecomunicações, que encontrava-se em recuperação judicial e possuía baixíssima liquidez na Bolsa. 

Em molde similar ao que ocorreu com a Sweet Cosmetics, a empresa precisou se transformar em uma nova companhia, tendo modificado completamente todo seu estatuto social, missão, visão, valores e composição da diretoria -  fazendo uma "faxina geral" na Inepar Telecom, de forma que a antiga companhia de telecomunicações tenha a cara de uma prop trading. No dia 4 de outubro, a Atom concluiu a "transformação" da Inepar Telecom, e a ação INET3 passou a ser negociada com o código correspondente à nova empresa ATOM3. 

Em entrevista ao InfoMoney, o CEO da Atom, Joaquim Paiffer (que também é trader), disse que pretende transformar a empresa na maior tesouraria do Brasil, seguindo os moldes dos já extintos Garantia e Pactual.

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