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JPMorgan lembra luta histórica de boxe ao rebaixar Petrobras: "estamos dizendo no más"

SÃO PAULO - "Em 25 de novembro de 1980, aconteceu um dos episódios mais marcantes da história do boxe: o embate entre Sugar Ray Leonard e Robert Durán II, também conhecida como a luta 'No más'. O combate ganhou a sua famosa denominação, quando o campeão Durán jogou a toalha no final do oitavo round e falou: 'No más, no más. Não mais boxe". 

É assim que os analistas do JPMorgan Marcos Severine e Felipe dos Santos iniciam o relatório em que cortam a recomendação para a Petrobras (PETR3;PETR4) de neutro para underweight (exposição abaixo da média), além de cortar o preço-alvo de R$ 15 para R$ 7 para a ação ON  e de R$ 16 para R$ 8 para os ativos PN.  Mas por que esta relação?

" Decidimos usar esta analogia para descrever o nosso sentimento atual sobre a PBR e a nossa decisão de rebaixar a ação. Apesar de todos os esforços da atual gestão, que em nossa opinião tomou as medidas necessárias e adequadas para lidar com a difícil situação financeira,  acreditamos que os desafios da Petrobras permanecem", afirmam Severine e Santos.

A nunca vista combinação das condições macroeconômicos deterioradas, os preços muito baixos do petróleo e o real mais desvalorizado limitou o acesso ao mercado da dívida, tornando os investimentos mais arriscados. "Como Durán disse no oitavo round, nós estamos dizendo: no más". 

A estimativa é de que a Petrobras tenha necessidade de caixa de US$ 74 bilhões (2016-2019 esperado). As previsões revistas da petroleira apontam para a necessidade de redução do capex para US$ 96 bilhões, não há reajuste nos combustíveis em 2016 com o novo cenário macroeconômico, o que implica em um prêmio para a paridade de importação de 53% para a gasolina e 36% para o diesel com a estimativa do dólar a US$ 4,40.

Como resultado, com as necessidades de caixa de US$ 74 bilhões, a estimativa é de que a estatal precisará de "dinheiro novo" para rolar as suas dívidas: US$ 6 bilhões em 2016, US$ 17 bilhões em 2017, US$ 24 bilhões em 2018, US$ 27 bilhões em 2019 e US$ 15 bilhões em 2020. 

"Lembramos os investidores das restrições em curso para acessar o mercado de dívida após  o downgrade para 'junk' pelas principais agências de classificação de risco. Acreditamos que a Petrobras terá de anunciar medidas adicionais  para reduzir ainda mais as suas necessidades de caixa em 2016-19", destacam os analistas.

A produção desfavorável do petróleo baixo e o real fraco também são fatores que pesam negativamente. O cenário corrente permite a Petrobras contrabalancear as fortes margens de refino com os resultados pobres em relação à exploração e produção em meio aos baixos preços do petróleo e o real depreciado.

"Contudo, este cenário também permite que o governo federal não deve reajustar os preços dos combustíveis ou aumentar a CIDE. No longo prazo, os preços da commodity atingindo os US$ 50 o barril cortariam o valuation de exploração e produção da Petrobras e o real fraco cortaria as margens de refino (margem Ebitda para cerca de 8% em 2020 ante 27,9% em 2016, gerando um desafio adicional para o plano de venda de ativos da companhia".

De acordo com os analistas, uma capitalização de ativos de US$ 40 bilhões não seria suficiente e implicaria numa diluição de 100%. Se incorporada a capitalização no modelo de análise, Severine e Santos ressaltam que a petrolífera só teria acesso ao mercado de dívida em 2018. "E sta diluição demonstra que a capitalização por si só não seria suficiente para resolver definitivamente as necessidades de caixa da Petrobras, enquanto a solução para os títulos híbridos/ativos poderia ser adotada, mas o timing para isso ainda é incerto".

Em meio a esse ambiente, a Petrobras não deve pagar dividendos tão cedo. "A f im de preservar caixa , acreditamos que a Petrobras não deve pagar dividendos em 2015, enquanto nós projetamos que a empresa relate um prejuízo líquido de R$ 1,8 bilhão no ano".

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