O Fed errou? Mercado aumenta aposta de que Yellen dará meia-volta e cortará juros

SÃO PAULO - Depois quase 10 anos, o Federal Reserve decidiu elevar os juros em dezembro do ano passado e iniciar um ciclo de aperto monetário para sair do contexto de juros zero como maneira de enfrentar a crise de 2008. No entanto, a direção da política monetário dos EUA que parecia clara começou a ganhar contornos bem nebulosos. Ontem, a presidente do Fed, Janet Yellen, disse que o BC do país poderá, se necessário, trabalhar com juros negativos, seguindo a tendência que tomou conta de diversos países europeus. A Suécia, por exemplo, que reduziu suas taxas de juros para -0,5%. Mas o que aconteceu para uma mudança tão brusca de determinação da autoridade monetária norte-americana? O Fed está reconhecendo que cometeu um erro?

Para grande parte do mercado sim. Como podemos ver no gráfico abaixo, os investidores já estão capostando mais em um corte de juros nos EUA do que em um aumento em 2016. Isso significa que há um descompasso brutal entre a curva de juros do país e as sinalizações realizadas pelo Fed, que pelo menos até os últimos eventos, mostrou acreditar em quatro aumentos de juros este ano. 

Para José Faria Jr., diretor técnico da Wagner Investimentos, o gráfico reflete uma posição que pode ser revertida. "Não tem ainda uma indicação clara de que o Fed vai cortar juros, mas a própria Yellen está falando de taxas negativas. Ela reconhece que a economia global está mais complicada", afirma. 

O medo, na sua opinião, é de que a China continue a desvalorizar a sua moeda para fazer frente à desaceleração econômica e o efeito que isso terá no restante da Ásia e nos mercados acionários. Isso se soma de maneira bastante inconveniente para quem acredita em uma melhora na economia global com a queda muito forte do petróleo nos últimos meses. "Bancos europeus estão com problemas por conta da exposição ao setor de Óleo e Gás. Nos Estados Unidos, já sabemos que a Wells Fargo está com problemas devido a seus empréstimos a empresas petrolíferas", explica. 

Ou seja, não bastasse o risco dos países emergentes, que estão em um período de crescimento fraco ou mesmo de recessão, como é o caso do Brasil, os planejadores de política monetária ainda se deparam com um cenário de temor com a saúde de algumas das maiores instituições financeiras do mundo. Sem contar nas tensões políticas na Europa, com Portugal elegendo um governo socialista e a Espanha mostrando-se incapaz de formar uma coalização com algum grau de governabilidade. 

A consequência disso é óbvia: subir juros, mesmo para a maior economia do mundo, é uma aposta arriscada, que pode possivelmenta arrastar o mundo para outra crise. "Subir juros do jeito que a economia mundial está é quase impossível", diz Faria Jr. Para ele, não dá para saber se o banco central do país irá realmente voltar atrás e cortar taxas, mas essa alternativa parece atualmente uma linha de ação mais provável do que a continuidade do aperto monetário. De uma forma ou de outra, o Fed parece cada vez mais distante de dar o seu segundo passo rumo à normalização da sua política monetária. 

Leia também:

InfoMoney atualiza Carteira para fevereiro; confira

Analista-chefe da XP diz o que gostaria de ter aprendido logo que começou na Bolsa

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos