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O "truque" da Sabesp que poderá render um caixa extra de R$ 330 milhões em 2016

07/04/2016 09h11

SÃO PAULO - A Sabesp tem tido motivos de sobra para sorrir à toa nesse início de ano, mas isso já não é novidade para o mercado, que viu as ações da companhia dispararem 46% da mínima de janeiro até março. Um "truque", porém, pode fazer a empresa ter um resultado ainda melhor em 2016. Esse truque nada mais é do que a Sabesp aumentar a pressão da água que chega até as torneiras dos paulistanos. 

Com a recuperação dos reservatórios após fortes chuvas em São Paulo durante o verão, a empresa responsável pelo abastecimento de água no estado certamente poderá retomar a pressão da água. Com a pressão normalizada, a população deve voltar a consumir mais, mesmo que inconscientemente, conforme explicou Marcos Severine, analista com mais de 20 anos de experiência no setor de utilities. A explicação foi dada durante o Comprar ou Vender do dia 14 de março, transmitido na InfoMoneyTV.

Pelas contas do BTG Pactual, o cancelamento do programa de bônus, conforme anunciado na semana passada, gerará um efeito positivo de R$ 330 milhões no Ebitda (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) projetado para a empresa em 2016, subindo de R$ 3,88 bilhões para R$ 4,21 bilhões.

As contas levam em consideração que março e abril terão dinâmicas parecidas com fevereiro deste ano, quando as multas cobradas pela Sabesp ultrapassaram pela primeira vez os descontos (R$ 51 milhões em multas cobradas versus R$ 32 milhões em descontos dados). Vale mencionar que, e m 2015, o programa teve um efeito negativo de R$ 427 milhões no Ebitda da empresa, dado que os descontos ultrapassaram as multas cobradas por maior consumo d'água. 

Menos bônus, mais otimismo

Na última semana, a Sabesp solicitou à Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp) o cancelamento a partir de maio do Programa de Incentivo à Redução do Consumo de Água. A iniciativa oferece desconto para os que economizam água, via bônus, e ainda cobra tarifas de contingência (multas) para quem eleva o consumo.

De acordo com a Sabesp, o pedido de encerramento das medidas, adotadas em 2014 em meio ao agravamento da crise hídrica em São Paulo, se faz necessário, pois a situação hídrica atual permite uma "maior previsibilidade sobre as condições dos mananciais". A empresa afirma ainda que os principais investimentos para aumentar a segurança hídrica na Região Metropolitana de São Paulo já estão em operação ou com obras em execução.

Após a notícia do cancelamento do programa de bônus, aliado ao balanço robusto registrado no 4° trimestre de 2015, analistas do BTG Pactual, Credit Suisse e Votorantim Corretora reiteraram recomendação equivalente a compra para a ação. Com a demanda voltando à normalidade e o fim do programa de bônus, analistas não têm visto motivo para não se expor aos papéis, que viviam há dois anos um dos seus piores períodos na Bolsa.