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Brasil não tem outro caminho a não ser para cima, diz The Economist

SÃO PAULO - A mais recente edição da The Economist traz nesta quinta-feira (2) uma nova análise sobre a transição de governo no Brasil e o cenário econômico do País, deixando quase que um ultimato para Michel Temer com o título: "Nenhum Lugar senão para cima", indicando que o único caminho que o Brasil tem agora é de recuperação.

A publicação lembra que o País está  sofrendo sua pior recessão desde a década de 1930, talvez a pior de todos os tempos, após a divulgação do PIB (Produto Interno Bruto) do primeiro trimestre ontem, que apontou para uma contração de 0,3% na economia. O analista Alberto Ramos, do Goldman Sachs, ainda destaca que, em um ano, o PIB por pessoa caiu mais do que ocorreu durante a hiperinflacionária "década perdida" de 1981 a 1992.

E a tarefa de  puxar o Brasil para fora deste pântano caiu sobre Temer, lembra a revista, destacando o começo conturbado de governo para o peemedebista. " Dois dos ministros no seu todo branco e todo masculino gabinete, incluindo o encarregado do combate à corrupção, tiveram que se afastar após gravações vazarem em que eles criticam a investigação do enorme escândalo de corrupção em torno Petrobras", diz a The Economist.

Apesar da pressão, a publicação afirma que o  programa econômico de Temer está se saindo melhor, com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, propondo a mais ambiciosa revisão da economia brasileira em décadas. A revista destaca que os " gastos públicos, incluindo no exorbitante sistema de pensão, deverá ser cortado, embora o governo ainda tenha de dizer o tamanho do corte".

"A privatização, por muito tempo um tabu, é uma possibilidade pela primeira vez desde os anos 1990. Tais ideias são uma ruptura radical com o intervencionismo de esquerda praticado pelo governo de Dilma, que é em grande parte responsável pela bagunça econômica", diz a revista.

As mudanças de  perspectivas já estão mexendo com as esperanças dos empresários insatisfeitos e dos investidores. Os rendimentos dos títulos caíram de cerca de 17% em janeiro para 13% agora, enquanto o custo do seguro contra "default" caiu um terço desde dezembro. "Em seis meses, podemos olhar para trás, hoje, como um ponto de inflexão", diz Marcelo Carvalho, do BNP Paribas, para a Economist. Mas só se Temer entregar o que prometeu, ressalta a revista.

Apesar de todos os problemas e dos escândalos envolvendo novos nomes da equipe de Temer, a revista destaca o otimismo não só de investidores, mas da população com o futuro do país nas mãos do peemedebista. " Brasileiros não estão esperando pureza moral do governo interino de Temer, que provavelmente continuará no cargo até depois das eleições de 2018. Mas eles estão esperando um alívio de sua dor econômica. Os primeiros sinais são de que Temer sabe como fornecê-la", conclui a revista.

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