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"O inverno está prestes a chegar para os bancos", diz HSBC - e nem Itaú escapa da lista

SÃO PAULO - Apesar do renovado otimismo sobre as mudanças políticas em curso no Brasil com o governo de Michel Temer, o HSBC ressaltou que vê tendências negativas para os bancos e esperam uma "recuperação lenta" do setor. Para os analistas, o lucro dos bancos não deve se recuperar rapidamente e há risco de novas quedas. Preocupações que os levaram a cortar a recomendação de 4 bancos: Itaú Unibanco (ITUB4), Banco do Brasil (BBAS3), ABC Brasil (ABCB4) e Banrisul (BRSR6) foram revisados de compra para manutenção. O Santander Brasil (SANB11) seguiu com recomendação "reduzir". 

"Assim como acontece com o resto do hemisfério sul, acreditamos que os bancos brasileiros estão prestes a entrar no inverno, e não no verão, e que a primavera ainda está longe de chegar", comentaram os analistas Carlos Gomez-Lopes e Neha Agarwala, em relatório recente. No radar deles, nem o Itaú - considerado pela maioria dos analistas como um dos melhores do setor (em termos de rentabilidade), juntamente com Bradesco - escapa da lista. 

Segundo destacam os analistas, essa visão negativa está apoiada em 4 fatores:  1) aprofundamento da crise de crédito, crescimento do crédito nominal de 2% a 5%, sem nenhum sinal de uma reviravolta;  2) redução precoce das taxas de juros que poderia reduzir as margens, cortando o LPA (Lucro sobre Ação) de 2% até 11%;  3) possível eliminação do JCP (Juros sobre Capital Próprio), que reduziria o LPA em 2% a 20%;  4) a taxa de câmbio; o HSBC espera dólar a R$ 4,00 no final do ano, uma desvalorização de 10%. 

Para eles, os múltiplos das ações dos bancos (entre 5 vezes e 8 vezes) não estão altos, mas não correspondem a esse cenário de lucro deprimido. Os bancos brasileiros tiveram resultados recordes em 2015 e depois veio o rali de fevereiro a março que os levaram a figurar entre os melhores desempenhos do setor financeiro nos mercados emergentes, no acumulado do ano. No entanto, dados fundamentais tornaram-se pior nesse período e reiterar agora uma recomendação de compra não parece justificado, segundo os analistas.

Eles cortaram marginalmente as estimativas de todos os bancos, mas o mais importante, acreditam, são os riscos destacados acima, que têm alta probabilidade de se materializarem nos próximos meses. No universo de cobertura, eles destacaram que seguem com preferência para as ações do Itaú - dado que é o banco que mostra mais resiliência no lucro e parece ter menor sensibilidade aos fatores de risco -, mas, ainda assim, eles veem uma dificuldade de ganhos crescente do banco nos elevados níveis atuais e a desvantagem da desvalorização do real frente ao dólar. Sobre o BB, eles destacam: " parece barato em múltiplos, mas é mais exposto  à eliminação do JCP do que seus pares".

Além de cortar a recomendação dos bancos, o HSBC revisou para baixo o preço-alvo desses dois bancos: Itaú Unibanco passou de R$ 36,00 para R$ 34,00; e BB foi de R$ 27,00 para R$ 19,00. Já Banrisul, ABC Brasil e Santander Brasil tiveram seus preços-alvo mantidos em R$ 10,00, R$ 14,00 e R$ 13,00, respectivamente. 

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