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Especialistas veem riscos e oportunidades para o agronegócio brasileiro com Brexit

SÃO PAULO - A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) traz muitas incertezas geopolíticas e econômicas para o mundo. Especificamente para o comércio do agronegócio brasileiro, o cenário pós Brexit [contração das palavras em inglês "saída" (exit) e britânica"] também, ainda, é muito incerto, avaliam especialistas em negociações internacionais.

Para alguns, a ruptura britânica com a UE acarreta em impactos significativos, sob a perspectiva de um viés mais negativo, para os embarques de produtos agrícolas brasileiros para o velho continente. Já para outros, o fato histórico abre novas oportunidades para o nosso comércio exterior.

Segundo Juliana Costa, professora de Relações Internacionais da FECAP, o Brexit acentua dúvidas, aumentando as dificuldades no que diz respeito às negociações entre Mercosul e UE. "Com o Reino Unido fora, a França, que é protecionista em relação ao comércio agrícola, ganha mais peso no bloco."

Por outro, de acordo com Juliana, o Brasil, teoricamente, ganha maior poder de barganha para negociar com o Reino Unido, "que sempre defendeu a liberalização dos mercados europeus, principalmente em relação às commodities."

Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, apontam que a Grã-Bretanha absorve aproximadamente 1,5% das exportações brasileiras, basicamente ancorada no embarque de produtos agrícolas. Já a UE, responde por 17,6% de nossas exportações.

Na avaliação de Ingo Plöger, presidente internacional do Conselho Empresarial da América Latina (CEAL), as exportações brasileiras devem sofrer com certa instabilidade no curto prazo. Em um diagnóstico para o médio prazo, o dirigente também observa uma negociação Mercosul-UE bem mais dura, com o protecionismo agrícola recrudescendo no bloco. "E isso, obviamente, não ajuda em nada o acesso a mercados."

Por outro lado, Plöger avalia que poderemos vir a ter algum ganho na corrente comercial com o Reino Unido, já que Londres, historicamente, é mais favorável ao livre-comércio, diferentemente de franceses e irlandeses, por exemplo, refratários à entrada de produtos agrícolas de países de fora do bloco.

Celina Ramalho, economista do Conselho Federal de Economia, faz análise semelhante. Para ela, acordos bilaterais com o Reino Unido podem ganhar corpo, sendo positivos, gerando ganhos para o Brasil. No tocante às negociações Mercosul-UE, Celina analisa que França e Alemanha vão ganhar força no bloco, mas diz que não enxerga mudanças substanciais do estágio atual, o que necessariamente não é algo positivo, já que a negociação não vem andando ao ritmo desejado pelo Brasil. 

 

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