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Serra e FHC tentam barrar Venezuela na presidência do Mercosul e ânimos se acirram na região

SÃO PAULO - A esperada transferência da presidência rotativa do Mercosul para a Venezuela, a partir da próxima terça-feira (12), seus significados e implicações têm acirrado os ânimos na política regional. Na véspera, o ministro das Relações Exteriores, José Serra, e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso reuniram-se com o presidente uruguaio Tabaré Vázquez e seu chanceler, Rodolfo Nin Novoa, para pedir mais tempo antes de o Uruguai passar a presidência do bloco para o governo bolivariano. Em resposta, a chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, rebateu em tom ríspido as reiteradas críticas do tucano ao país.

"A República Bolivariana da Venezuela rejeita as declarações insolentes e amorais do chanceler em exercício do Brasil", escreveu Rodríguez em sua conta no microblog Twitter. "Serra se soma à conjura da direita internacional contra a Venezuela e viola princípios básicos que regem as relações internacionais", complementou. A chanceler voltou a afirmar ainda que o processo de impeachment em curso contra Dilma Rousseff representa um "golpe de Estado".

As tensões entre o comando do Itamaraty e o governo venezuelano têm se intensificado com as acusações de Serra à gestão de Maduro por, segundo ele, violações de princípios democráticos e ser responsável pela escassez de alimentos e remédios no país, além do apoio do ministro a um referendo para tentar encerrar o atual governo bolivariano. Caracas também é alvo de um pedido de aplicação da cláusula democrática, feito pelo Paraguai, o que poderia culminar em sua suspensão dentro do bloco.

Serra defende que a Venezuela só assuma a presidência rotativa do Mercosul por seis meses se cumprir as regras de seu tratado de adesão, com pendências como a adequação aduaneira prevista no ACE-18 (Acordo de Complementação Econômica), que desenha o estabelecimento de um mercado comum no bloco.

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