Brasil completa 1 ano sem "grau de investimento" da S&P; o que aprendemos desde então?

SÃO PAULO - Há exatamente um ano, no dia 9 de setembro de 2015, o Brasil perdia seu grau de investimento pela primeira agência de rating, a Standard & Poor's. Desde então o país não só perdeu a nota pelas outras duas principais agências (Fitch e Moody's), como já caiu mais uma nota pela própria S&P. Mas o que mudou desde então? Será que o Brasil aprendeu alguma coisa nestes 365 dias classificado como "junk"?

Quem se lembra daquele período vai recordar também que já era um evento amplamente aguardado pelo mercado, tanto que no dia seguinte ao corte o Ibovespa, que chegou a cair mais de 2% naquele pregão, fechou com perdas de apenas 0,33%. Além disso, a mudança de cenário é clara quando se olhar para o patamar da Bolsa, que há um ano estava em torno de 46.500 pontos, e hoje chega a 58.000 pontos.

Para Jason Vieira, economista da da Infinity Asset Management, o efeito da perda do grau de  investimento, apesar de algo precificado, foi a consagração do que todo mundo esperava. "É como um parente que morre depois de muito tempo doente. Você sabe que vai acontecer, mas nunca está 100% preparado quando acontece", explica.  "Foi como dizer: está provado que o governo falhou e não vai conseguir aprovar nada", completa.

Para ele, o Brasil aprendeu muita coisa desde que foi rebaixado. " A perda do grau de investimento foi um dos deflagradores do processo de impeachment. Mostrou a falência do modelo econômico da Dilma", afirma o economista, ressaltando que foi naquele momento em que o processo que culminou na saída da petista da presidência teve início.

Em geral, a questão não é se o Brasil aprendeu alguma coisa (ele entendeu o recado), mas é a dificuldade que o governo tem para atingir as metas que pretende.  Para o economista Daniel Weeks, da Garde Asset, o ministro da Fazenda de Dilma Rousseff, Joaquim Levy, já tinha entendido que o foco precisava ser na questão fiscal, mas o problema é que era preciso apoio político para realmente levar para frente as reformas necessárias, algo que o antigo governo não tinha.

Esta era uma sinalização que a própria S&P já havia dado na época.  "Os desafios políticos que o Brasil enfrenta continuam a pesar na capacidade do governo e vontade de submeter ao Orçamento de 2016 ao Congresso consistente com a política de ajuste fiscal assinalada durante o segundo mandato da presidente Dilma Rousseff", dizia o comunicado da agência quando rebaixou o país.

O problema neste momento envolve a aprovação de medidas fiscais. "O importante agora é o que vai ser feito. O que precisa ser feito para que não se repitam os problemas daquela época", afirma Vieira. Segundo ele, o Brasil ainda vai levar muito tempo para retomar o grau de investimento e se tornar novamente um país seguro para se investir. " As medidas de cunho fiscal precisam andar para isso", ressalta.

Para Weeks, o novo governo, assim como a equipe ministerial liderada por Henrique Meirelles, entenderam o recado dado pela S&P no ano passado, mas fica a pergunta: será que os políticos aprenderam?  " O Brasil também mudou muito desde aquele dia. O problema é que o político é difícil de aprender as coisas. A equipe econômica deu o seu sinal, o problema é se isso vai ser acompanhado por Congresso, Câmara, Senado", complementa Vieira.

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