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Setor automotivo só voltará ao pico em 2028, diz economista-chefe do Bradesco

SÃO PAULO - "Estamos em recuperação, sim, não há dúvida, mas para voltarmos ao melhor momento que um dia já chegamos somente em cerca de 5 anos", disse Octavio de Barros, economista-chefe do Bradesco, durante painel de discussão sobre cenário macroeconômico pós-impeachment promovido pela Bloomberg Tradebook, na última quarta-feira, em São Paulo. 

Para ele, o Brasil está com uma "sorte tremenda" por conta da liquidez global. "Ganhamos tempo para planejar e colocar em prática um ajuste fiscal efetivo, mesmo ainda não tendo sido aprovado nada, mas será".  Ainda assim, a retomada da economia não será rápida, comentou.

Do ponto de vista do nível de atividade do PIB (Produto Interno Bruto), não da taxa de crescimento, o Brasil teve seu pico em março de 2014; e, de lá para cá, esse nível caiu 9 pontos percentuais. Isto significa que, para voltarmos ao melhor momento somente entre 2019 e 2021, destacou. 

Segundo ele, o banco tem feito essa análise para cada setor e é preciso ter isso no radar. "M uita gente está embarcando em um cenário de confiança em alta, mas precisar ter em mente que só voltaremos ao melhor momento que já chegamos daqui a alguns anos". 

O caso da industria automotiva é um dos piores, disse. Segundo ele, a indústria já se ajustou mais do que outros setores, com exceção da automotiva, que ainda tem muito ajuste de emprego a fazer. " Projetamos que só em 2028 a indústria automotiva consiga voltar ao seu melhor momento que teve em março de 2012". 

O economista citou uma pesquisa recente feita pelo Bradesco com 4.000 empresas. Do universo de cobertura, 55% das empresas disseram que o ajuste de emprego nem sequer começou. 

Embora a resposta tenha o surpreendido, ele disse que não acredita que isso signifique que as empresas vão entrar em uma rota de demissão violenta no curto prazo, mas entende que as empresas dizendo: "ao longo dos próximos meses eu ainda tenho ajustes a fazer". 

Para Barros,  o desemprego só vai começar a cair um pouco a partir do segundo semestre do ano que vem. Em 2018, a projeção é que fique em 11,5%. Ele citou como comparação os dados do Caged, que apontam destruição de 1,1 milhão de empregos formais esse ano; em 2015, ficou em 1,54 milhão; ano que vem, deve mostrar a criação de 700 mil. "Apesar disso, o desemprego vai continuar aumentando", disse. "E aí me perguntam: c omo vai ficar a taxa de desemprego olhando daqui a 4 a 5 anos? Vai retomar? Acho que vamos encontrar um equilibrio em 9,5% a 10% ao fim desse período", acrescentou. 

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