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ABERTURA: Ibov futuro recua com novo capítulo na disputa entre EUA e China

02/08/2019 09h07

O índice futuro do Ibovespa abre a jornada desta sexta-feira com desvalorização de 0,50% aos 101.530 pontos, seguindo assim a tendência das bolsas internacionais. O mercado segue atento as disputas comercias entre Estados Unidos e China e também a temporada local de balanços.

Neste cenário, o dólar começa o dia com ganhos de 0,42% a R$ 3,8550.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) de São Paulo terminou julho com alta de 0,14%, depois de subir 0,15% no mês anterior, em meio à alta dos preços de Habitação e queda de Despesas Pessoais.

A Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) divulgou nesta sexta-feira que os preços de Habitação exerceram o maior peso positivo ao subirem 0,54%, mesmo desacelerando sobre a taxa de 0,69% de junho.

A criação de vagas de trabalho nos Estados Unidos tenha desacelerado em julho após fortes ganhos no mês anterior, com os salários provavelmente mantendo o ritmo moderado de aumento, o que pode ampliar as expectativas do mercado de outro corte de juros pelo Federal Reserve no próximo mês.

O relatório de emprego do Departamento do Trabalho será divulgado nesta sexta-feira na esteira da decisão de quarta-feira do banco central dos EUA de cortar a taxa de juros de curto prazo pela primeira vez desde 2008.

A China afirmou nesta sexta-feira que não será chantageada e alertou para retaliação depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu adotar tarifas de 10% sobre 300 bilhões de dólares em importações chinesas a partir do próximo mês.

Na quinta-feira Trump surpreendeu os mercados financeiros ao dizer que planeja aplicar as tarifas adicionais a partir de 1 de setembro, em um fim abrupto para uma trégua na guerra comercial que vem desacelerando o crescimento global.

Pequim não irá ceder nem um centímetro sob pressão dos EUA, disse a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hua Chunying.

BOLSAS INTERNACIONAIS.

Em TÓQUIO, o índice Nikkei recuou 2,11%, a 21.087 pontos. Em HONG KONG, o índice HANG SENG caiu 2,35%, a 26.918 pontos. Em XANGAI, o índice SSEC perdeu 1,41%, a 2.867 pontos. O índice CSI300, que reúne as maiores companhias listadas em XANGAI e SHENZHEN, retrocedeu 1,47%, a 3.747 pontos.

O dia também mostra sinais negativos de forma expressiva para os mercados acionários da Europa. Em Frankfurt, o DAX tem perdas de 2,47% aos 11.951 pontos, enquanto que em Londres o FTSE cede 1,75% aos 7.452 pontos. Já em Paris, o CAC cai 2,65% aos 5.410 pontos.

COMMODITIES

Nesta sexta, a jornada foi marcada mais uma vez por importante queda nos preços dos contratos futuros do minério de ferro, que são transacionados na bolsa de mercadorias da cidade chinesa de Dalian. O ativo de maior liquidez, com data de vencimento para setembro do atual calendário, perdeu 3,08% a 866,00 iuanes por tonelada, o que representa uma variação diária de 27,50 iuanes.

No mesmo sentido, na também chinesa bolsa de mercadorias de Xangai, a sexta-feira também foi negativa para os papéis futuros do vergalhão de aço. O contrato com o maior volume de negócios, e data de entrega em outubro deste ano, perdeu 62 iuanes para um total de 3.816 iuanes por tonelada. Já o de janeiro de 2020, segundo mais líquido, cedeu 69 iuanes para 3.590 iuanes por tonelada.

Na direção contrária, os preços dos contratos futuros do petróleo registram forte valorização nesta sexta-feira. O barril do tipo WTI, referência de Nova York, ganha 2,50%, ou US$ 1,35, a US$ 55,30. Já em Londres, o Brent soma 2,81%, ou US$ 1,70, a US$ 62,20.

MERCADO CORPORATIVO

- Petrobras (SA:PETR4)

A Petrobras registrou lucro líquido recorde de 18,87 bilhões de reais no segundo trimestre, aumento de 87% ante o mesmo período do ano passado, principalmente devido à conclusão da venda de fatia na Transportadora Associada de Gás (TAG), informou a companhia nesta quinta-feira.

Na comparação com o primeiro trimestre, o resultado foi 4,6 vezes maior, após a Petrobras ter recebido 33,5 bilhões de reais por 90% da TAG em junho.

O aumento das cotações internacionais do petróleo ante o primeiro trimestre e a valorização do dólar frente ao real também impactaram positivamente os resultados da companhia.

Excluídos os fatores não recorrentes, como desinvestimentos, o lucro líquido contábil da empresa no segundo trimestre foi de 5,2 bilhões de reais e o fluxo de caixa operacional chegou a 20,5 bilhões de reais.

- Eletrobras (SA:ELET3)

A Eletrobras afirmou nesta quinta-feira que o presidente Jair Bolsonaro autorizou que sejam aprofundados estudos para a desestatização da companhia, segundo fato relevante.

Os estudos, disse a companhia, serão para que o processo ocorra por "aumento de capital social, mediante subscrição pública de ações ordinárias da Eletrobras ou de eventual empresa resultante de processo de reestruturação".

De acordo com fato relevante, o processo de desestatização da companhia deverá ser apreciado pelo Congresso Nacional.

Bolsonaro esteve envolvido nesta quinta-feira em reuniões sobre o assunto com o presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Jr.

A elétrica estatal informou nesta quinta-feira que liquidou em 30 de julho um título (bond) com valor de 1 bilhão de dólares, ou 3,9 bilhões de reais.

- Localiza (SA:RENT3)

A maior companhia de locação de veículos e gestão de frotas do país, Localiza, teve crescimentos de dois dígitos nas vendas de veículos seminovos e no aluguel de carros, o que ajudou a companhia a elevar o lucro líquido no segundo trimestre.

A empresa teve lucro líquido de 190 milhões de reais de abril a junho, crescimento de cerca de 34 por cento sobre o resultado de um ano antes. Sem incluir efeitos da adoção do padrão contábil IFRS 16, a Localiza teve lucro líquido de 191,4 milhões de reais.

Analistas, em média, esperavam lucro líquido de 205,5 milhões de reais para a Localiza no período, segundo dados da Refinitiv.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) chegou a quase meio bilhão de reais, crescimento de cerca de 44 por cento na base anual. Um ano antes, a greve dos caminhoneiros havia atingido os resultados da companhia.

- Bancos

O Banco Central aprovou medida nesta quinta-feira para que clientes de bancos possam usar boletos bancários para fazer depósitos em suas contas, numa mudança que poderá ampliar o leque de ofertas dos bancos digitais sem redes físicas de atendimento, num incentivo à maior concorrência.

Em geral, esse tipo de aporte nos bancos digitais só era possível por meio de transferências via TED e DOC. Mas algumas instituições, como o Nubank, já permitiam depósito com geração de boletos.

Segundo o Banco Central, a circular institucionaliza uma prática que já é adotada por algumas instituições. Em nota, o BC esclareceu que, para que o depósito possa ser feito, o boleto terá que ser emitido em nome do titular da conta e só poderá ser pago em benefício dele.

- Minério de ferro

As exportações de minério de ferro do Brasil cresceram 16,6% em julho ante o mês anterior, para 34,3 milhões de toneladas, maior nível em nove meses, após a Vale (SA:VALE3) retomar a produção em sua maior mina de Minas Gerais, apontaram dados oficiais nesta quinta-feira.

O volume é o maior desde outubro de 2018, quando as vendas externas brasileiras de minério de ferro atingiram 37,2 milhões de toneladas, segundo dados compilados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

O montante de julho, entretanto, é 4,7% menor que o registrado no mesmo mês do ano passado.

- Cielo (SA:CIEL3)

A Cielo informou nesta quinta-feira que "não tem conhecimento" sobre informações a respeito de eventual venda da participação do Banco do Brasil (SA:BBAS3) na empresa de meios de pagamento.

As ações da companhia dispararam perto do final do pregão desta quinta-feira depois que a Broadcast publicou que o banco estatal estuda vender sua participação de 28,65 por cento na Cielo, que tem ainda o Bradesco (SA:BBDC4) dividindo o controle.

Os papéis fecharam em alta de 15,33 por cento, cotados a 8,35 reais. O Ibovespa mostrou ganho de 0,3 por cento.

AGENDA DE AUTORIDADES

O presidente Jair Bolsonaro começa a sexta-feira com uma reunião com Claudenir Brito Pereira, Gerente de Auditoria Interna Apex-Brasil e, em seguida com Floriano Peixoto, Presidente dos Correios, fechando a manhã com um encontro com Waldemar Gonçalves Ortunho Junior, Presidente da Telecomunicações Brasileiras (Telebras).

Na parte da tarde, recebe a jornalista Leda Nagle.

O ministro da Fazenda, Paulo Guedes, tem nesta sexta-feira uma série de audiências com o VP & CRO do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), Sarquis José Buainain Sarquis; com o diretor do Centro de Economia Mundial da FGV, Carlos Langoni; com a diretora do Centro de Cidadania Fiscal (CCIF), Vanessa Canado; com o presidente da Editora Abril, Fábio Carvalho; e com um grupo de especialistas.

*Reuters contribuiu com esta matéria

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