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Ibovespa perde os 100 mil pontos com acirramento de disputa entre EUA e China

05/08/2019 14h04

Depois de iniciar o dia com forte queda, o Ibovespa intensificou as perdas e perdeu o piso de 100 mil pontos, pela primeira vez desde o dia 27 de junho, quando chegou a operar com 99.942,60 pontos no início da tarde desta segunda-feira (05). No pano de fundo está a guerra comercial após Trump impor tarifas de 10% em US$ 300 bi de importações da China a partir de 1º de setembro e o gigante asiático retaliar ao desvalorizar o iuan acima de 7 unidades monetárias da moeda chinesa em relação ao dólar.

Com isso, às 14h01, o Ibovespa era negociado com queda de 2,59% aos 100.012 pontos, recuperando parcialmente o rompimento do patamar psicológico.

A China deixou o iuan romper o nível de 7 por dólar nesta segunda-feira pela primeira vez em mais de uma década, num sinal de que o país está disposto a tolerar mais fraqueza no câmbio para aumentar a competitividade no comércio global, o que poderia inflamar ainda mais um conflito comercial com os Estados Unidos.

"O recrudescimento das tensões nas negociações comerciais entre China e Estados Unidos continua aumentando a aversão ao risco nos mercados globais", destacou a equipe da Coinvalores, em nota a clientes enviada mais cedo nesta segunda-feira.

A forte queda de 1,4% no iuan vem dias depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, surpreender os mercados financeiros ao prometer impor tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões restantes das importações chinesas a partir de 1º de setembro, quebrando abruptamente um breve cessar-fogo na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

Alguns analistas disseram que o movimento do iuan poderia desencadear uma nova frente perigosa nas hostilidades comerciais — uma guerra cambial. O economista sênior para a China da Capital Economics, Julian Evans-Pritchard, disse que o PBoC provavelmente impediu uma desvalorização mais forte do iuan a fim de evitar um colapso total das negociações comerciais com os Estados Unidos.

No Twitter, Trump classificou o movimento de "manipulação cambial" e acrescentou: "você está ouvindo, Federal Reserve? Essa é uma grande violação que enfraquecerá consideravelmente a China ao longo do tempo!".

No cenário local, as atenções estão voltadas para a retomada das atividades no Congresso Nacional, particularmente a apreciação da reforma da Previdência em segundo turno na Câmara dos Deputados, com o fim do recesso parlamentar no Brasil.

- DÓLAR disparava nesta segunda-feira, próximo ao patamar de 3,96 reais, em meio à forte aversão ao risco no exterior depois de o iuan romper a marca de 7 por dólar, movimento que catapultou preocupações sobre o impacto do acirramento das tensões entre Estados Unidos e China no crescimento econômico global. É o maior percentual de alta desde maio.

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