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Surpreendido com a reviravolta do mercado nesta quarta-feira? Entenda os motivos

07/08/2019 16h32

O mercado financeiro teve mais um dia de sentimento de aversão ao risco nesta quarta-feira, com os principais índices de Wall Street operando no negativo e com a demanda em alta por ativos de refúgio, entre os quais títulos públicos, ouro e moedas nacionais como iene e franco suíço. O pano de fundo continua o novo capítulo da disputa comercial entre EUA e China iniciado na semana passada.

A disputa sino-americana já flerta com a guerra cambial, após a China desvalorizar, na segunda-feira, o iuan acima de 7 por dólar pela primeira vez desde a crise financeira de 2008. A reação americana foi classificar o país asiático como um "manipulador cambial", além da renovação da pressão do presidente dos EUA Donald Trump para o Fed acelerar a redução de juros e, assim, proporcionar a desvalorização do dólar em relação aos principais concorrentes comerciais dos EUA.

Vale ressaltar que o movimento cambial chinês foi uma resposta à promessa do presidente dos EUA Donald Trump de nova rodada de tarifas sobre produtos chineses, embora a autoridade monetária do país justifica a queda como um movimento de mercado.

O que aconteceu hoje?

O gatilho para a predominância do pessimismo no pregão de hoje não foi, no entanto, impulsionado pelas duas maiores economias do mundo, mas sim pela decisão de política monetária de três bancos centrais influenciada sob a perspectiva dos efeitos do imbróglio comercial sino-americano.

Os Bancos Centrais de Nova Zelândia, Índia e Tailândia reduziram a taxa de juros de referência como uma medida de estímulo às suas economias em meio a um quadro de desaceleração da economia global proporcionada pela disputa comercial.

O Banco Central da Nova Zelândia supreendetemente reduziu a taxa de juros de referência para 1% - a menor da história - e sinalizou com mais um corte até o final do ano. Decisão inesperada também a da autoridade monetária da Tailândia, afrouxando a política monetária pela primeira vez desde 2015 e revertendo o aperto monetário de dezembro. Na Índia, o Banco Central do país reduziu as taxas pela quarta reunião consecutiva em meio a um quadro de inflação moderada e atividade econômica em seu ritmo mais lento em quase cinco anos.

Qual o impacto nos mercados?

Diante desse quadro e perspectiva de desaceleração, os principais índices mundiais recuaram no intraday. Em Wall Street, os três principais índices começaram o dia no negativo, com Dow Jones caindo 0,82%, S&P 500 recuando 0,67% e Nasdaq cedendo 0,42%.

Quem ganha com isso?

A queda do mercado acionário levou os investidores a protegerem o patrimônio em ativos considerados seguros, como os títulos públicos. Neste caso, aprofundou o achatamento da curva de rendimentos, ou seja, a redução da diferença dos yields de títulos de diferentes prazos, em alguns casos com o rendimento dos papéis de curto prazo ser maior do que os de prazo maior. Na Alemanha, por exemplo, a diferença entre os títulos de 2 e de 30 anos chegou ao menor patamar desde a crise de 2008.

Nos EUA, o rendimento do título de 30 anos está em 2,195%, próximo da mínima histórica de 2,0882% alcançado em julho de 2008. O título de 10 anos continua com ganhos abaixo do de 3 meses, caracterizando assim a inversão da curva, que tradicionalmente é uma sinalização de recessão econômica no horizonte. A última inversão entre os dois títulos foi em 2007. O yield dos títulos de 10 anos está 1,692% e o de 3 meses a 2,013%.

Em relação a outros ativos de refúgio, o ouro está nas máximas de 6 anos, com alta de 2,19% a US$ 1.516,75 a onça-troy. O iene chegou a se valorizar a 105,50 por dólar, mas arrefeceu os ganhos durante o dia, sendo cotado a 106,09 às 16:17. Já o franco suíço era cotado a 0,9737, uma valorização de 0,26% em relação ao dólar.

E por que reverteu no final do dia?

O humor dos agentes financeiros melhorou após o presidente do Fed de Chicago, Charles Evans, afirmar que a inflação lenta e as preocupações com a perspectiva do lado do comércio podem resultar em mais cortes na taxa de juros.

Essa indicação reverteu temporariamente o pessimismo após o presidente do Fed, Jerome Powell, dizer, na semana passada, que o corte de juros era um ajuste no meio de um ciclo e não um início de ciclo de cortes, como esperava o mercado.

O S&P 500 teve variação positiva de 0,08%, para 2.884,02 pontos. O Nasdaq subiu 0,38%, para 7.862,83 pontos. E o Dow Jones teve oscilação negativa de 0,09%, aos 26.007,07 pontos.

E o Brasil com isso?

No Brasil, as incertezas externas tomaram os holofotes um dia após a aprovação em segundo turno da reforma da Previdência no plenário da Câmara dos Deputados.

O Ibovespa conseguiu virar na parte final do pregão e fechar em alta de 0,61% a 102.782 pontos. No intraday, o índice afundou até 1,27% a 100.476 pontos.

O Ibov foi ajudado pelo bom desempenho dos bancos, que sofrem desde o início da temporada de balanços. Itaú (SA:ITUB4) e Bradesco (SA:BBDC4) elevar a recomendação para os ADRs de ambos, afirmando esperar um período de vários anos de forte crescimento de lucros e expansão do ROE, com impulso do crescimento de empréstimos e ganhos de eficiência. Banco do Brasil (SA:BBAS3) cedeu 0,1%

O dólar não reverteu para o terreno negativo e se aproximou dos R$ 4,00 na sessão de hoje. No segmento à vista, que encerrou às 17h, o dólar teve ganho de 0,48%, a 3,9749 reais na venda. É o maior patamar de fechamento desde 30 de maio (3,979 reais). No pico intradia, o dólar spot foi a 3,9935 reais.

Com Reuters

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