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ABERTURA: Ibov futuro com forte alta com anúncio de estímulo econômico na China

16/08/2019 09h53

O índice futuro do Ibovespa inicia a sexta-feira com forte ganhos de 1,22% a 100.995 pontos, após encerrar duas sessões consecutivas com fortes baixas, abaixo dos 100 mil pontos no pregão de quinta-feira. O dólar também se aproveita do bom humor do último dia de negociações da semana e é negociado a R$ 3,9829, baixa de 0,24%.

O que move essa alta?

A semana foi marcada por influências externas, e o que alimenta o apetite ao risco nesta sexta-feira também vem de fora. Diante do risco de recessão das principais economias mundiais, a China rompe com o padrão dos estímulos adotados até aqui, baseados essencialmente em injeção monetária por meio do corte de juros por bancos centrais das economias desenvolvidas e emergentes e sinalização de adoção, pelo Banco Central Europeu (BCE), de um programa de compra de ativos.

O governo chinês prometeu utilizar a política fiscal anunciar, por meio da agência de planejamento estatal, a preparação de um plano para aumentar renda disponível neste ano e em 2020, buscando alimentar o consumo no momento em que a economia desacelera. O plano incluirá reforma do sistema Hukou --um programa de registro familiar que serve como passaporte doméstico e regula a imigração rural para as cidades--, entre outras medidas, sem revelar muitos detalhes.

Dados nesta semana mostraram que a economia da China perdeu mais força do que o esperado em julho, com as vendas no varejo indicando cautela do consumo conforme a intensificação da guerra comercial com os Estados Unidos pesa sobre as empresas e os consumidores. No segundo trimestre, o crescimento desacelerou para perto da mínima de 30 anos.

Mesmo assim, a guerra comercial continua no radar dos investidores, principalmente ao humor do presidente dos EUA Donald Trump em seu perfil no Twitter. Trump diminuiu relativamente as preocupações com a guerra tarifária entre as duas maiores economias mundiais ao afirmar nesta quinta-feira acreditar que a China deseja fechar um acordo comercial e que a guerra tarifária com Pequim será relativamente curta. "Acho que quanto mais tempo dura mais forte ficamos", disse Trump sobre a guerra comercial. "Tenho a sensação de que (a guerra comercial) vai ser relativamente curta", disse ele.

Apesar de os investidores terem se acostumados à volatilidade do humor do presidente americano, a notícia inusitada do dia tem ele como protagonista. O presidente discutiu em particular com assessores e conselheiros a ideia de o país comprar a Groenlândia como modo de expandir o território norte-americano.

A ideia de comprar o gelado território dinamarquês, localizado entre os oceanos Atlântico e Ártico, foi recebida como piada por alguns conselheiros, mas levada mais a sério por outros, disseram as fontes. Mas a iniciativa não é uma invenção de Trump. O democrata e ex-presidente Harry Truman já se dispusera a comprar a ilha em 1946 por 100 milhões de dólares.

Para finalizar o quadro externo, James Bullard, presidente do Fed St.Louis, avaliou a questão da inversão da curva de juros dos títulos públicos americanos. Para ele, a inversão "teria de ser mantida por um período de tempo" para ser considerada como um sinal "baixista" para uma economia norte-americana que segue em crescimento.

Nas declarações, Bullard pareceu minimizar a influência da recente volatilidade do mercado sobre a próxima decisão de juros do Fed. Com outras economias em desaceleração, "você tem essa busca por segurança acontecendo", o que está pressionando as taxas dos Treasuries mesmo com o crescimento econômico dos Estados Unidos sendo "razoável", disse Bullard em comentários à Fox Business News.

No plano interno, com o fim da temporada de balanços do segundo trimestre e avanço relativamente tranquilo da pauta econômica no Congresso, não há fortes fatores que alimentam o bom humor nesta sexta-feira.

Notícias corporativas

-Petrobras (SA:PETR4)

Durante evento no Rio de Janeiro, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse nesta quinta-feira ao presidente da Petrobras (SA:PETR4), Roberto Castello Branco, não duvidar que o governo poderá privatizar "coisas maiores".

"Estamos começando devagar nas privatizações, mas já sabemos que vamos privatizar os Correios, vamos privatizar a Eletrobras (SA:ELET3). Eu não duvido que a gente vai privatizar algumas coisas maiores, viu Castello?", disse Guedes.

A afirmação, que arrancou gargalhadas de uma plateia que escutava o ministro durante o encerramento de um evento sobre gás natural, foi considerada depois, em entrevista a jornalistas, uma "brincadeira".

- Petrobras (SA:PETR4) 2

A Petrobras (SA:PETR4) destituiu de seus cargos pelo menos quatro supervisores que trabalham em unidades no Norte do Brasil, após eles terem votado contra a terceira proposta da empresa para o Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), afirmou à Reuters o secretário-geral da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), Adaedson Costa.

As destituições teriam ocorrido na unidade de Urucu (AM), onde a Petrobras (SA:PETR4) produz petróleo e gás no Estado do Amazonas, segundo o representante da FNP, que reúne cinco sindicatos de petroleiros. Costa, da FNP, afirmou que a empresa tem convocado funcionários com cargos comissionados para participar das assembleias e votar a favor da empresa, segundo relatos de trabalhadores aos sindicatos.

- Eletrobras (SA:ELET3)

A Eletrobras (SA:ELET3) tem expectativas de que a licença ambiental necessária para permitir o início das obras de um linhão de transmissão de energia que conectará Roraima ao sistema elétrico interligado do Brasil possa ser liberada ainda neste mês, disse nesta quinta-feira o presidente da companhia, Wilson Ferreira Jr..

O empreendimento, que foi licitado ainda em 2011, está sob responsabilidade da Transnorte Energia, uma associção entre a privada Alupar (SA:ALUP11) e a Eletronorte, subsidiária da Eletrobras (SA:ELET3). As empresas têm há anos tentado liberar as obras junto ao Ibama e à Funai, que participa do processo porque o linhão cruzaria terras dos índios Waimiri-Atroari.

- Vale (SA:VALE3)

A mineradora Vale (SA:VALE3) determinou a suspensão temporária das operações da usina de concentração da mina de minério de ferro de Viga, pertencente à recém-adquirida Ferrous Resources do Brasil, após identificar uma "deficiência" em documentos relativos ao alvará em Jeceaba (MG), informou a empresa em fato relevante nesta quinta-feira.

De acordo com a Vale (SA:VALE3), a suspensão das atividades na usina da Ferrous não afeta operações da mina de Viga, que prosseguirão normalmente. Ainda segundo a nota da empresa, o problema no alvará "não tem qualquer relação com segurança, seja da barragem, seja das operações da Ferrous".

-PagSeguro (NYSE:PAGS)

A empresa de meios de pagamento PagSeguro (NYSE:PAGS) teve lucro líquido de 322,8 milhões de reais no segundo trimestre, alta de 41,8% ante mesmo período de 2018, com impulso da forte expansão de receitas com segundo balanço divulgado nesta quinta-feira.

A companhia, que compete no Brasil com empresas como Mercado Pago, Stone, Cielo (SA:CIEL3) e Rede, teve expansão de 38,7% na receita líquida total, para 1,39 bilhão de reais. A base de usuários ativos da empresa subiu 34,8%, para 4,7 milhões e o volume total de pagamentos avançou 58,7%, para 26,75 bilhões de reais.

*Reuters contribuiu com esta matéria