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Copom reduz Selic para 5,5% a.a. e indica continuidade de cortes de juros

18/09/2019 18h22

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu nesta quarta-feira a taxa Selic em 0,50 ponto percentual, dando prosseguimento ao afrouxamento monetário retomado na última reunião em julho. A queda de 6% para 5,5% ao ano está em linha com a previsão do mercado, com base na precificação nos juros DI. É a menor taxa básica de juros da história recente.

Em seu comunicado, o BC abre as portas para novos cortes na Selic, em linha com o esperado pelo mercado:

O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo.

A recuperação lenta da atividade econômica foi o principal fator para o novo corte, conforme aponta o cenário-base divulgado pelo colegiado após a reunião de dois de política monetária. Apesar de o PIB do 2º trimestre ter apresentado um crescimento acima do esperado pelo mercado, com uma alta de 0,4% sobre o período anterior, o Banco Central continua avaliando a atividade econômica aquém do seu potencial e, por isso, prescreve uma política monetária estimulativa.

Em comunicado, os diretores indicaram a retomada gradual. "Indicadores de atividade econômica divulgados desde a reunião anterior do Copom sugerem retomada do processo de recuperação da economia brasileira. O cenário do Copom supõe que essa retomada ocorrerá em ritmo gradual".

O último Focus divulgado na última segunda-feira projeta um crescimento abaixo de 1% neste ano, ficando em 0,87%, enquanto a projeção para o ano que vem sofreu uma nova redução de 2,07% para 2%.

A dinâmica econômica anêmica mantém, segundo o Copom, a capacidade ociosa da economia elevada, com uma taxa de desemprego ainda alta em 11,8% no trimestre encerrado em julho, de acordo com último dado divulgado pelo IBGE. Com isso, a inflação corrente está baixa e a expectativa inflacionária ancorada, o que permite, segundo economistas consultados pelo Focus, a promover mais cortes da Selic até 5% ao ano e mantê-la neste patamar ao longo de 2020.

De acordo com o último Focus, os analistas de mercado reduziram a projeção do IPCA para 3,45% neste ano e 3,80% em 2020, abaixo do centro da meta de, respectivamente, 4,25% e 4%, mas ainda dentro da margem de tolerância de 1,5 ponto percentual. A desvalorização recente do real em relação ao dólar e previsão de a moeda americana encerrar 2019 a R$ 3,90 não provocou perspectiva de aumento inflacionário. O repasse cambial à inflação está limitado devido à baixa atividade econômica.

O Banco Central reduziu a visão de em relação à frustração de as reformas e ajustes econômicas não continuarem avançando no Congresso, após a aprovação da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados e sua tramitação sem percalços no Senado.

"O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia"

"Em particular, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva."

Leia o comunicado completo do BC:

Em sua 225ª reunião, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 5,50% a.a.

A atualização do cenário básico do Copom pode ser descrita com as seguintes observações:

Indicadores de atividade econômica divulgados desde a reunião anterior do Copom sugerem retomada do processo de recuperação da economia brasileira. O cenário do Copom supõe que essa retomada ocorrerá em ritmo gradual;

No cenário externo, a provisão de estímulos monetários adicionais nas principais economias, em contexto de desaceleração econômica e de inflação abaixo das metas, tem sido capaz de produzir ambiente relativamente favorável para economias emergentes. Entretanto, o cenário segue incerto e os riscos associados a uma desaceleração mais intensa da economia global permanecem;

O Comitê avalia que diversas medidas de inflação subjacente encontram-se em níveis confortáveis, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária;

As expectativas de inflação para 2019, 2020, 2021 e 2022 apuradas pela pesquisa Focus encontram-se em torno de 3,5%, 3,8%, 3,75% e 3,5%, respectivamente; e

No cenário com trajetórias para as taxas de juros e câmbio extraídas da pesquisa Focus, as projeções do Copom situam-se em torno de 3,3% para 2019 e 3,6% para 2020. Esse cenário supõe trajetória de juros que encerra 2019 em 5,00% a.a. e permanece nesse patamar até o final de 2020. Também supõe trajetória para a taxa de câmbio que termina 2019 em R$/US$ 3,90 e permanece nesse patamar até o final de 2020. No cenário com juros constantes a 6,00% a.a. e taxa de câmbio constante a R$/US$ 4,05*, as projeções situam-se em torno de 3,4% para 2019 e 3,6% para 2020. O cenário híbrido com taxa de câmbio constante e trajetória de juros da pesquisa Focus implica inflação em torno de 3,4% para 2019 e 3,8% para 2020.

O Comitê ressalta que, em seu cenário básico para a inflação, permanecem fatores de risco em ambas as direções. Por um lado, (i) o nível de ociosidade elevado pode continuar produzindo trajetória prospectiva abaixo do esperado. Por outro lado, (ii) uma eventual frustração em relação à continuidade das reformas e à perseverança nos ajustes necessários na economia brasileira pode afetar prêmios de risco e elevar a trajetória da inflação no horizonte relevante para a política monetária. O risco (ii) se intensifica no caso de (iii) deterioração do cenário externo para economias emergentes.

Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, pela redução da taxa básica de juros para 5,50% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e balanço de riscos para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante para a condução da política monetária, que inclui o ano-calendário de 2020.

O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural.

O Copom avalia que o processo de reformas e ajustes necessários na economia brasileira tem avançado, mas enfatiza que perseverar nesse processo é essencial para a queda da taxa de juros estrutural e para a recuperação sustentável da economia. O Comitê ressalta ainda que a percepção de continuidade da agenda de reformas afeta as expectativas e projeções macroeconômicas correntes. Em particular, o Comitê julga que avanços concretos nessa agenda são fundamentais para consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva.

Na avaliação do Copom, a evolução do cenário básico e do balanço de riscos prescreve ajuste no grau de estímulo monetário, com redução da taxa Selic em 0,50 ponto percentual. O Comitê avalia que a consolidação do cenário benigno para a inflação prospectiva deverá permitir ajuste adicional no grau de estímulo. O Copom reitera que a comunicação dessa avaliação não restringe sua próxima decisão e enfatiza que os próximos passos da política monetária continuarão dependendo da evolução da atividade econômica, do balanço de riscos e das projeções e expectativas de inflação.

Votaram por essa decisão os seguintes membros do Comitê: Roberto Oliveira Campos Neto (Presidente), Bruno Serra Fernandes, Carlos Viana de Carvalho, Carolina de Assis Barros, Fernanda Feitosa Nechio, João Manoel Pinho de Mello, Maurício Costa de Moura, Otávio Ribeiro Damaso e Paulo Sérgio Neves de Souza.

*Valor obtido pelo procedimento usual de arredondar a cotação média da taxa de câmbio R$/US$ observada nos cinco dias úteis encerrados na sexta-feira anterior à reunião do Copom.