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PIB potencial do Brasil não chega a 1%, diz XP

12/11/2019 11h36

Por Paula Salati

O Brasil está virando a página da instabilidade macroeconômica ao ter alcançado inflação e juros baixos, mas precisa impulsionar a agenda de reformas estruturais para melhorar o ambiente de negócios e conseguir aumentar o potencial de crescimento econômico do País. É o que afirmou a economista-chefe da XP, Investimentos, Zeina Latif, na manhã desta terça-feira (12/11).

Em um Congresso da Associação Brasileira Online to OfflineCom (ABO2O), a economista disse que o nosso potencial de crescimento - que é a capacidade de um país expandir sem gerar pressão inflacionária - já foi de 3,5%, em linha com o restante do mundo, porém hoje não chega a 1%.

"Isso é fruto de uma infraestrutura ineficiente, parque industrial desatualizado, custo Brasil elevado, mão de obra pouco qualificada e fim do bônus demográfico", diz Zeina.

Na avaliação dela, o Ministério da Economia tem se esforçado para reverter este cenário, ao propor diversas reformas estruturais, mas tudo depende da velocidade que como elas vão andar no Congresso Nacional.

"O poder Executivo não pode perder o diálogo com o Congresso. O governo tem trabalhado na direção de aprofundar o ajuste na economia, mas sabemos que não é uma agenda fácil", afirma.

Dentre as reformas estruturais, ela destaca como positiva a reforma trabalhista que entrou em vigor em 2017, além de ressaltar a importância de andamento de uma reforma tributária que consiga, ao menos, simplificar o ambiente de negócios.

"Agora não vai dar para reduzir a carga tributária, porque as despesas públicas precisam cair em relação ao PIB, mas dá para racionalizar: cobrar no destino e não na origem, eliminar regimes especiais e reduzir a cumulatividade de pagamento de impostos na cadeia de produção", pontua Zeina. "Reduzir o custo Brasil é importante para atrair investimentos", acrescenta.

O Plano Mais Brasil entregue pelo presidente Jair Bolsonaro e ministro da Economia, Paulo Guedes, na semana passada, prevê, inclusive, em um dos seus pontos, que os benefícios tributários serão reavaliados a cada 4 anos. No âmbito federal, a partir de 2026, estes não poderão ultrapassar 2% do PIB.

Política econômica entrando nos trilhos

Zeina, por outro lado, avalia que a política macroeconômica do País está entrando nos trilhos. "Depois de muitos retrocessos no segundo mandato do Lula e durante a gestão Dilma, quando voltamos a ter inflação e juros na casa dos dois dígitos, estamos, agora conseguindo recuperar a estabilidade macroeconômica", diz Zeina.

Ela lembra que a taxa básica de juros (Selic) está em seu menor patamar histórico, em 5% ao ano, e que o Banco Central tem sinalizado mais cortes. Na avaliação de Zeina, isso é fruto de uma política fiscal mais responsável que começou a ser praticada no Brasil desde o governo de Michel Temer, em 2016, com a aprovação do teto de gastos, que limita o crescimento das despesas públicas pela inflação.

Já as despesas com a Previdência Social que, segundo Zeina, consome 60% do orçamento federal, foram encaminhadas pelo atual governo. Hoje, a reforma das aposentadorias está sendo promulgada pelo Congresso Nacional.

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