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Brasil pode sofrer menos com recessão nos EUA, dizem analistas

Da Redação
Em São Paulo

O temor de que uma recessão possa acontecer nos Estados Unidos ainda neste ano já traz a preocupação aos países emergentes sobre possíveis respingos da crise.

Entretanto, economistas consultados avaliam que os efeitos sobre o Brasil, por exemplo, podem ser reduzidos por conta do fortalecimento das relações com demais nações em desenvolvimento.

"Hoje o comércio entre os emergentes está crescendo a taxas muito altas e isso independe dos Estados Unidos. Ao mesmo tempo, esse ciclo também pode ser responsável por levantar a economia norte-americana, pois os países em desenvolvimento crescem e começam a demandar mais produtos dos EUA", aponta o professor e pesquisador do Ibmec São Paulo Marcelo Moura.

Uma reportagem publicada pela revista "The Economist" na semana passada defende a tese do descolamento, segundo a qual em alguns países emergentes como o Brasil, China, Rússia e Índia podem continuar crescendo alheios a uma provável recessão na economia americana.

De acordo com a publicação, a teoria é justificada pelo incremento nas relações comerciais entre os emergentes, que têm exportado mais para a China do que para os Estados Unidos.

O artigo alerta, entretanto, que, se a recessão americana ocorrer e provocar queda na produção de commodities, trouxer novas desvalorizações às Bolsas mundiais e o dólar permanecer com tendência de queda, é bem provável que as economias em desenvolvimento, bem como suas exportações, sejam afetadas.

Segundo Moura, os Estados Unidos correspondem a um quarto da economia mundial e, portanto, é preciso uma análise mais profunda sobre o quão forte é este descolamento (se existir) que seja capaz de não contaminar os demais países.

De acordo com a "Economist", as exportações para os EUA correspondem a apenas 8% do PIB da China, 4% do da Índia, 3% do do Brasil e 1% do da Rússia. De 2000 para cá, as vendas dos emergentes para os Estados Unidos passaram de 20% para menos de 15%, enquanto as exportações dos emergentes para a China no mesmo período saltou de 5% para mais de 15%.

"Este comércio fortalecido entre os emergentes faz com que o efeito das crises em economias desenvolvidas seja menor", declara Moura.

(Ana Carolina Lourençon)

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