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Fitch dá grau de investimento ao Brasil; leia análise de especialistas

da Redação (*)

A agência de classificação de risco Fitch elevou o Brasil nesta quinta-feira à faixa de grau de investimento, tornando-se a segunda entre as três maiores do setor a tomar essa decisão. Veja abaixo comentários de analistas do mercado e outras informações.

Rafael Guedes, diretor-executivo da Fitch no Brasil



"O Brasil não pode se considerar vencedor e deve perseguir as metas de inflação à risca. É importante destacar que as contas externas têm melhorado e isso é conhecido, mas o que estamos também ressaltando (com essa decisão) é que a estabilidade brasileira, junto com a redução da volatilidade externa, resulta em menor volatilidade no crescimento nacional. E isso é algo novo no Brasil."

Roberto Padovani, estrategista de investimentos sênior para a América Latina do Banco WestLB do Brasil



"Vários investidores exigem que você tenha duas agências recomendando um país. Nesse sentido, a Fitch junto com a S&P é importante. Nesse aspecto você tem avanços... Mas não muda muita coisa (no curto prazo), isso já vinha sendo antecipado."

Paulo Skaf, presidente, Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)

"O Brasil está obtendo, agora, um reconhecimento internacional pelo qual vem trabalhando há uma década. A conquista do grau de investimento por mais uma agência é muito positivo e nos incentiva, ainda mais, no sentido de lutar pelas reformas necessárias à consolidação de uma economia forte e com crescimento sustentado."

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Alberto Ramos, economista-sênior, Goldman Sachs, Nova York

"É outro passo importante. É o reconhecimento de uma redução significativa nas vulnerabilidades externas. Certamente não é o fim do percurso, o governo não pode relaxar e festejar, mas deve se esforçar para obter ainda mais upgrades. Agora eles possuem grau de investimento, mas há muitos níveis dentro dessa faixa e eles precisam mirar cada vez mais alto. No lado fiscal muito pode ser feito para garantir isso."



Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee)

"Evidentemente ficamos satisfeitos porque, a cada dia que passa, o Brasil demonstra que a imagem internacional do país está recuperada. Mas, ao mesmo tempo, ficamos preocupados pela avalanche de dólares que deve desembarcar no país, valorizando ainda mais o real, o que é muito penoso para a indústria que exporta."

Vladimir Caramaschi, economista-chefe, Fator Corretora

"Tem dois aspectos positivos, um deles é simplesmente a questão de confirmar o grau de investimento. Mas o mais importante é que muitos investidores institucionais precisam que duas agências confirmem isso. Nesse sentido, tem efeitos práticos com mais entrada (de recursos).

Para decisões de Selic de curto prazo isso é irrelevante. No médio e longo prazos, isso pode derrubar o juro real de equilíbrio."

Álvaro Bandeira, diretor, Corretora Ágora

"O mercado já estava ajustado um pouco em cima (dessa possibilidade), nas últimas sessões a Bovespa já vinha precificando isso e ontem já teve uma forte especulação.

Mas volto a dizer o que falei da S&P: muito bom no médio e longo prazos, mas no curto prazo pode acontecer como agora, de o mercado cair... Se imaginávamos que, com uma nota já haveria um granda fluxo, a segunda nota só tende a reforçar."

Cristiano Souza, economista do Banco Real



"Em termos de benefícios imediatos, não devemos ver nada com essa segunda nota. O grau de investimento é mais um reconhecimento das agências internacionais da boa condução de políticas macroeconômicas, uma melhoria nas contas fiscais, nas contas externas, que traz uma série de benefícios que foram colhidos e deixaram a economia do país melhor nos últimos anos. Mas não é que o país já pode se considerar um vencedor. Todas as agências foram enfáticas em dizer que o governo também tem muito trabalho a fazer do lado fiscal. O Brasil ainda tem lição de casa pra fazer."

(*) Com reportagem da Reuters

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