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Europa propõe cota de 1,4 mi de toneladas de álcool, mas Brasil quer o dobro

Da Redação

Em São Paulo

A União Européia (UE) informou que ofereceu ao Brasil cota para a exportação de etanol, de 1,4 milhão de toneladas por ano até 2020, para tentar um acordo na Rodada Doha. Segundo Bruxelas, o produto entraria com tarifa abaixo de 10% e a oferta significaria comércio de US$ 1,6 bilhão. Os produtores de álcool e açúcar querem o dobro.

O comissário europeu de Comércio, Peter Mandelson, disse em seu blog na Internet que ficou, porém, surpreso com a reação do ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante encontro bilateral a margem das negociações na OMC.


Mandelson contou que ele e a comissária européia de agricultura, Marian Fischer-Boel, deixaram claro que estavam prontos a explorar um acordo que poderia dar novo acesso "significativo e de valor" para as exportações de bioetanol brasileiro na UE, desde que houvesse reciprocidade com maior acesso para os exportadores europeus no mercado brasileiro.

"Surpreendentemente, visto a importância dessa questão em Brasília, Amorim pareceu afastar o valor dessa oferta para o Brasil" , declarou Mandelson.

Negociadores brasileiros foram cautelosos na reação às declarações de Mandelson. A cifra de 1,4 milhão de toneladas é considerada significativa, ainda mais em comparação com a cota geral que os europeus acenavam a princípio no caso de designar o etanol como "produto sensível".

Mas estimam que há muitas questões em aberto, inclusive sobre o pagamento para essa concessão. A delegação brasileira espera a chegada hoje do diretor da Unica, Marcos Jank, para entrar na barganha com mais firmeza.

Produtores querem o dobro
A Unica, representante dos produtores de açúcar, pediu para o governo brasileiro lutar por cota representando 10% do consumo europeu de etanol até 2020. Isso daria 2,8 milhões de toneladas de etanol, o dobro do que a UE ofereceu.

O Brasil colocou o etanol como questão fundamental para um acordo na Rodada Doha.

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, avisou a representante comercial americana Susan Schwab que o Brasil não aceitará que o etanol seja o único produto excluído de liberalização em Doha.

Pelo menos no começo da semana, a reação americana continuou dura. Washington não queria negociar a taxa de US$ 0,54 por galão importado e tampouco apontou alguma tentativa de solução.

Os EUA alegam que os US$ 0,54 não são tarifa e sim "outras taxas" e, portanto, não teria porque ser negociada na OMC.

Para o Brasil, porém, a exclusão do etanol da liberalização global é politicamente inaceitável.

Com relação a União Européia, o Brasil tem tido que rejeita a criação de novas cotas. Insistem que o está em negociação somente a expansão das cotas atuais para produtos considerados sensíveis, e não estabelecer novas limitações a mais produtos.

O ministro do Comércio e Indústria do Egito, Rachid Mohamed Rachid, atacou os subsídios dos países ricos a produção de biocombustíveis, dando como exemplo da desigualdade no comércio internacional.

Os países desenvolvidos gastaram US$ 15 bilhões em ajuda a seus produtores de biocombustíveis no ano passado, ao mesmo tempo que mantiveram altas barreiras contra o produto mais competitivo do Brasil.

Sinais "animadores"
A reunião realizada hoje entre seis países e a União Européia para buscar uma aproximação sobre as
discussões da Rodada Doha acabaram com "sinais animadores" sobre a continuidade da negociação, realizada pelo quinto dia, segundo o porta-voz da Organização Mundial do Comércio (OMC), Keith Rockwell.

O porta-voz destacou, sobre a reunião, que foram horas "produtivas" de trabalho, com um espírito de cooperação.

(Com informações de Efe e Valor Online)

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