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Análise: Pacote de US$ 200 bi contra crise é só "tapa buraco"

Sílvio Crespo

Da Redação

O pacote de US$ 200 bilhões do governo americano que, quando concluído, deve ser a maior operação de resgate de empresas da história dos Estados Unidos é apenas um "tapa buraco" na crise do setor de crédito imobiliário daquele país, segundo análise do economista Alcides Leite, da Trevisan Escola de Negócios.

"A reação do mercado foi positiva porque essas medidas mostram que o setor público está reagindo", afirma o economista.

O governo americano anunciou no domingo (dia 7) que está colocando esse valor, na forma de linhas de crédito, à disposição das duas mais importantes empresas do mercado de títulos imobiliários dos Estados Unidos, a Fannie Mae e a Freddie Mac. Ainda, a agência federal que supervisiona os empréstimos imobiliários assumirá o controle das duas companhias.

Segundo Leite, "o que o governo dos EUA fez foi evitar que os problemas se alastrassem". A partir de agora, de acordo com ele, "é necessário refazer o marco regulatório com mais rigor no acompanhamento da concessão de crédito".

As duas empresas tiveram prejuízo de US$ 14 bilhões nos últimos 12 meses e suas ações caíram cerca de 90% no período. Elas são responsáveis hoje por US$ 5,3 trilhões em garantias a empréstimos ou em empréstimos concedidos, o que representa dois terços do mercado americano no setor.

As perdas foram provocadas por um forte aumento na inadimplência do crédito imobiliário de alto risco, que atingiu 9,2% dos contratos, maior taxa desde que o dado começou a ser calculado, em 1969.

O erro foi a agência reguladora permitir que a situação chegasse a esse ponto, segundo Leite. "Caberia à agencia não deixar as empresas se exporem dessa forma a títulos de baixa qualidade", afirma. "Deveria exigir mais rigor para que essas empresas e os bancos não concedessem créditos a tomadores que não dão garantias suficientes para honrar seus compromissos."

Segundo Leite, as operações de crédito de alto risco foram "uma ousadia por parte das empresas (Fannie Mae e Freddie Mac) e dos bancos, e uma leniência por parte da agencia reguladora".

O atual marco regulatório é "muito liberal", diz o economista. "Uma super-regulação é algo contraproducente, e uma sub-regulação gera risco; no caso dessa crise, a agência pecou por falta de regulação", diz o economista.

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