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Bancos dos EUA devem ter crise até o fim do ano, diz economista

Da Redação

Em São Paulo

Os bancos nos Estados Unidos continuarão apresentando balanços negativos pelo menos até o final deste ano, por conta da volatilidade do ambiente macroeconômico e da incerteza do investidor com as finanças do país. A análise é do economista e vice-presidente da SulAmérica Investimentos, Marcelo Mello.

"Os resultados das instituições estão piorando, e fica difícil para o investidor projetar onde está o fundo do poço. Com essa aversão ao risco, há uma onda de resgate de ativos aplicados em segmentos de maior risco, como o de títulos imobiliários, para alocá-los em aplicações mais conservadoras, como os treasuries [papéis do Tesouro americano]", diz.


Mello afirma que, para que a situação dos bancos seja revertida, é preciso que ocorra uma modificação no cenário econômico mundial, com aquecimento da atividade, aumento do consumo e queda na inflação. Essas condições estão, entretanto, em um horizonte distante.

"Para mudar o ambiente atual, é preciso, em primeiro lugar, que o investidor consiga ter uma idéia clara de até quando os Estados Unidos vão apresentar expansão abaixo do esperado. Por outro lado, também é preciso observar até que ponto a desaceleração nos EUA pode impactar na Europa", diz.

Se alguns ingredientes como aumento do emprego, queda nos preços e melhora da confiança na economia são indispensáveis para a reviravolta norte-americana, o economista antecipa que uma mudança no desempenho chinês, por exemplo, pode levar o mundo a uma crise muito pior.

"Muitos analistas dizem que, mesmo com os problemas nos Estados Unidos e na Europa, é possível manter a economia mundial em níveis de aceleração razoáveis se a China, que tem um mercado consumidor bastante grande, mantiver um nível de crescimento considerável. Mas se essa situação mudar, daí sim o mercado deverá sofrer uma revolução e ficar mais preocupado", diz.

Com a crise do "subprime", os Estados Unidos, que são o grande mercado comprador no mundo, reduziram suas importações, o que afetou negativamente a balança comercial de muitos países.

O freio nas exportações dos mercados produtores só não foi maior porque alguns emergentes como a China e a Índia, que estão em franco crescimento, mantiveram sua demanda elevada e compensaram a perda dos negócios com os EUA.

(Reportagem: Ana Carolina Lourençon)

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