Maior prazo para imposto não é o ideal, mas alivia empresas, dizem analistas

Ana Carolina Lourençon
Em São Paulo

O adiamento do prazo para o pagamento de alguns impostos federais, que foi anunciado pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, não é o ideal, mas deverá trazer alívio ao fluxo de caixa de diversos setores da economia brasileira, segundo analistas.

"Não é uma ação que vai resolver todos os problemas dos empresários, mas também, seria difícil para o governo encontrar um prazo que atendesse a todos. Cada segmento da economia trabalha em um ritmo, não tem como agradar 100% as indústrias e bancos, por exemplo, porque são atividades completamente diferentes e com necessidades de prazos e pagamentos também diferentes. O governo encontrou um meio-termo", diz o sócio-diretor de tributos da auditora BDO Trevisan, Lúcio Abrahão.

Segundo o anúncio de Mantega, o governo vai prorrogar o recolhimento do PIS (Programa de Integração Social) do dia 20 para 25. Nos demais tributos, o adiamento será de 10 dias.

Prazo ajuda menores
O professor de finanças da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras) Alexandre Assaf explica que, dependendo do tipo de negócio, principalmente se for pequena empresa, dez dias fazem muita diferença porque dão um fôlego maior para o empresário que não tem um grande volume de receitas conseguir empréstimos no banco.

O ideal, segundo o presidente da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças), Miguel José de Oliveira, seria que o governo adiasse o pagamento dos impostos em pelo menos 30 dias, já que a maioria das empresas costuma receber pagamento de seus clientes até três meses depois da entrega da mercadoria.

"Entre as indústrias, por exemplo, o prazo negociado para o pagamento costuma ser de pelo menos 30 dias e se estende até 90 dias. Então, o governo deveria ter adotado uma medida que ajudasse a empresa a receber o pagamento pelos seus produtos primeiro para depois pensar em quitar os impostos", diz.

Para Abrahão, este anúncio do governo deve ajudar mais especificamente as empresas que pagam o salário dos funcionários em uma única parcela e geralmente na primeira quinzena do mês.

"Muitas vezes, coincidia para as empresas o mesmo prazo para pagar salário, impostos e fornecedores e chegava um momento que o caixa ficava vazio e, com a restrição de crédito nos bancos, era difícil conseguir capital de giro. A partir do momento em que a empresa consegue pulverizar seus pagamentos ao longo do mês, sabendo que não terá diversos compromissos vencendo em um único dia, seu fluxo de caixa tende a ser aliviado e ela consegue também negociar com seu fornecedor a data que fica melhor para fazer pagamentos", diz.

Reivindicação antiga
Oliveira afirma que o governo está atendendo uma reivindicação antiga das empresas, que há tempos pedem um alongamento do prazo para pagar impostos.

"As empresas têm uma relação de longo prazo de pagamento com sues clientes e fornecedores e é só com o governo que têm obrigações de curto prazo. Concordo que na época de inflação galopante, em que o dinheiro perdia valor muito rápido, fazia sentido cobrar impostos em prazos curtos, mas hoje em dia, com os preços controlados e próximos da meta, não faz sentido essa necessidade", diz.

Para o governo, essa medida não deve causar impacto negativo, segundo Oliveira, já que o dinheiro do imposto será pago de qualquer forma, apenas em um tempo maior, e a tendência é que o credito seja restabelecido rapidamente na economia e o governo volte a receber o dinheiro dos impostos na data original.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos