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Crise mostra efeito devastador sobre economia real e empresas globais

Da Redação

Em São Paulo

A crise financeira cada vez mais mostra efeitos devastadores sobre a economia real. Notícias ruins em série divulgadas somente hoje envolvem diversos setores, como automóveis, agricultura, indústria química, combustíveis e construção civil, e empresas mundialmente famosas, como General Motors, Basf, Nissan e Citigroup.

A área de automóveis é uma das mais afetadas. Representantes das três maiores montadoras dos Estados Unidos pediram na terça-feira ajuda governamental emergencial para evitar um possível colapso. Após horas de um intenso debate, o discurso deles não parece ter convencido suficientemente os legisladores americanos para que se movimentem rapidamente pelo socorro.

As ações da General Motors despencam nesta quarta-feira, cotadas a menos de US$ 3, batendo no nível mais baixo em mais de 60 anos. A causa do mau resultado é justamente a dificuldade do governo americano em aprovar um pacote de ajuda ao setor.

A situação está tão ruim para a GM que um grupo se ofereceu para comprar as quatro fábricas alemãs da montadora Opel, filial da GM, por € 1 bilhão, mas, pelas condições, o negócio sairia "de graça".

Na Espanha, a Acciona, prestadora de serviços de logística e limpeza para a montadora japonesa Nissan, anunciou que vai demitir 322 empregados.

A Toyota, a maior empresa automobilística do mundo, irá parar sua produção em todas as fábricas dos Estados Unidos e Canadá por dois dias em dezembro.

O presidente do grupo italiano Fiat, Luca Cordero di Montezemolo, pediu medidas de apoio ao setor automotivo europeu, para que não fique em desvantagem frente às fábricas americanas.

Outros setores
A construção de imóveis e o número de permissões de construção nos Estados Unidos continuou caindo em outubro, situando-se em seus níveis mais baixos em mais de 48 anos, segundo dados do departamento do Comércio.

Frente à queda da demanda, o gigante da química Basf anunciou um plano mundial de redução de sua produção, o qual prevê o fechamento temporário de 80 fábricas e outras medidas que, no total, afetarão 20 mil empregados.

Até a Opep está perdendo dinheiro. Os integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo registraram perdas de cerca de US$ 700 bilhões devido à queda do preço do produto, segundo o presidente do cartel, Chakib Khelil.

Na China, a crise e a conseqüente redução de demanda global estão levando ao fechamento de diferentes fábricas, causando tensão pelo país.

Cerca de 10 mil produtores europeus de tabaco protestaram nesta quarta-feira, em Bruxelas, para exigir que a União Européia (UE) cancele seu programa de corte dos subsídios para o setor.

No Brasil, o governo anunciou que vai liberar até R$ 500 milhões para refinanciamento de dívidas de produtores rurais do Centro-Oeste.

A educação também foi abalada. A Anhanguera Educacional Participações, que atua no segmento de ensino superior, fechou o terceiro trimestre do ano com prejuízo líquido de R$ 5,6 milhões, contrastando com um lucro líquido de R$ 13,7 milhões registrado em igual período do ano passado.

No campo financeiro, o Citigroup decidiu liquidar o fundo de hedge Corporate Special Opportunities (CSO) após ele perder 53% de seu valor no mês passado. Foi a nona vez nos últimos meses que a instituição teve de fechar ou resgatar um fundo em sua unidade de investimento alternativo, informou a edição desta quarta do jornal "Financial Times".

(Com informações de AFP, Efe, Reuters, Valor Online)

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