Crise financeira faz MMX e Vale paralisarem produção em Mato Grosso do Sul

Rodrigo Nascimento
Especial para UOL Economia

Em Corumbá(MS)

Depois da MMX anunciar sua paralisação na exploração e no beneficiamento do minério de ferro em Corumbá (MS), cidade localizada na fronteira entre o Brasil e Bolívia, a Vale do Rio Doce também decidiu dar férias coletivas aos seus funcionários.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Mineração do município, a partir do dia 08 de dezembro, apenas 77 dos 388 empregados da mineradora continuam trabalhando na manutenção do maquinário.


A atitude é reflexo da crise financeira mundial, que derrubou o preço e a procura pelo minério no comércio exterior. A desaceleração nos setores automobilístico e de construção - os mais afetados economicamente pela crise - fez a venda do minério cair drasticamente.

Sem mercado, os estoques das mineradoras estão lotados, forçando a diminuição da produção.

De acordo com Cassiano de Oliveira, presidente do Sindicato corumbaense, o principal objetivo das paralisações é evitar demissões.

"Se houver necessidade de manter a produção parada mesmo após o período de férias, queremos que mineradora mantenha os contratos oferecendo aos funcionários cursos de atualização e capacitação", afirmou o sindicalista ao UOL.

Foi o que fez a MMX. Integrante do grupo EBX, do mega-empresário Eike Batista, a mineradora garantiu que manterá seus empregados em licença remunerada, respeitando todos os acordos coletivos firmados anteriormente.

Em nota, a MMX afirmou que durante a suspensão das operações em Corumbá, ela oferecerá formação e aperfeiçoamento profissional a seus colaboradores e manterá seus projetos sociais na região.

A Rio Tinto, outra empresa instalada na região, ainda não anunciou se vai ou não intervir na produção. A exemplo do que ocorreu no ano passado, a seca no Rio Paraguai, principal via de escoamento da produção, deve paralisar a mineradora entre dezembro e janeiro, quando a navegabilidade fica mais prejudicada.

Em 2007, a Rio Tinto extraiu 2 milhões de toneladas de minério das reservas corumbaenses. A estimativa da empresa era elevar a produção a 15 milhões de toneladas já em 2010, plano que deve ser reformulado devido à crise.

Para governador, "fé e vontade de trabalhar" podem mudar atual quadro econômico

Nesta terça-feira o governador de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB), afirmou que somente a "fé, a persistência, muito trabalho e vontade política" podem minimizar os efeitos da crise econômica no Estado.

Em Corumbá para assinatura de ordens de serviço do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), Puccinelli mostrou otimismo na manutenção da siderúrgica da MMX instalada no município.

Após ser multado em R$ 25 milhões pelo Ibama por compra de carvão irregular, Eike Batista, proprietário da MMX, disse que pode fechar a siderúrgica por causa da inviabilidade financeira. Puccinelli considerou a multa "absurda". "Fomos ao Ibama e pedimos para eles não fizessem novas bobagens", declarou o governador.

A crise, segundo André Puccinelli, vai deixar praticamente toda a Europa em recessão. Recentemente ele esteve na Itália, onde apresentou o potencial econômico de Mato Grosso do Sul aos empresários estrangeiros. "Lá fomos informados que a China, o Brasil e a Índia, nesta ordem, os principais destinos dos investimentos europeus", comentou.

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