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PIB do 4º trimestre já deverá refletir aprofundamento da crise, diz economista

Ana Carolina Lourençon
Em São Paulo

Embora o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro referente ao terceiro trimestre tenha surpreendido o mercado, a expansão não deve se manter em níveis tão elevados nos próximos meses, segundo o professor de economia do Ibmec São Paulo Domingos Pandeló.

"Por enquanto, a crise ainda não refletiu com força no Brasil, mas, como o efeito dos fatos é demorado, provavelmente o quarto trimestre já não deve apresentar um resultado tão robusto como o atual", diz.


De acordo com Pandeló, nos próximos meses o PIB deverá ser afetado de duas principais formas. Por um lado, o investimento deve ser reduzido por causa da contração mundial do crédito e da piora na percepção dos agentes econômicos com relação ao futuro, o que deve fazer com que as empresas posterguem novos projetos.

Na outra ponta, a demanda também será um componente bastante prejudicado, avalia Pandeló. Os bancos ficaram mais reticentes em conceder crédito à sociedade com medo da inadimplência e, ao mesmo tempo, a confiança do consumidor caiu, contribuindo para a queda acentuada nas procura por bens e serviços.

"Isso vai gerar um ciclo negativo para a economia, mas com um impacto não tão imediato. A tendência é de crescimento menor, com a redução de pedidos à indústria e algumas demissões. Mas isso só deve ficar mais claro em 2009", diz.

A expansão de 6,8% na atividade econômica do terceiro trimestre sobre igual período de 2007 foi possível, segundo Pandeló, devido à continuidade do bom desempenho que o país mostrava desde o início do ano, com vendas aquecidas, investimentos em alta e demanda por produtos elevadas.

"Na realidade, muitos contratos tinham sido fechados antes de a crise se agravar e só estão sendo contabilizados nesse terceiro trimestre. Mesmo com a turbulência, os negócios não podem ser desfeitos de uma hora para outra. A economia vai freando devagar agora", explica.

Segundo o último boletim Focus divulgado ontem pelo Banco Central, a expectativa dos economistas é que o PIB encerre o ano com expansão de 5,24% e, de acordo com Pandeló, este número é possível de acontecer, sobretudo por causa da injeção de dinheiro que o 13º gera na economia.

"Tudo depende de como as pessoas vão usar esse dinheiro, se elas estarão muito endividadas ou não. Mas o ano como um todo não deve fechar com número ruim. Por volta de 5% é possível crescer", afirma.

Com relação ao ano que vem o professor afirma que, se a expansão da economia alcançar os 2,5% como o Focus prevê, será um bom desempenho.

"Vamos lembrar que praticamente o mundo todo estará passando por uma contração econômica. Claro que 2,5% não é o ideal, mas também não é preocupante", diz.

Selic
A aposta de grande parte dos analistas é de que o Comitê de política Monetária (Copom) opte por manter a taxa básica de juros nos atuais 13,75% ao ano na reunião que termina amanhã, mas, segundo Pandeló, existia também uma pequena possibilidade de o órgão reduzir a taxa para tranqüilizar o mercado. Contudo, o resultado da atividade econômica no terceiro trimestre deve afastar esta possibilidade.

"Diante das recentes notícias econômicas ruins que têm chegado de todas as partes do mundo, o Copom poderia pensar em reduzir a Selic para sinalizar ao mercado que está preocupado com o crescimento do país, mas, os números revelados pelo IBGE devem trazer força para a manutenção da taxa", afirma.

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